Tenho estranhado a falta de capacidade de escrever.
Não é que precise de o forçar - não tenho prazos nem metas a cumprir. Mas escrever sempre me fez bem e gosto dos registos que ficam. São como testemunhos do que vivemos.
Gosto de revisitar este e outros blogs que tive e recordar onde estava há um ano atrás.
Mesmo sem pressão, pensei que a maternidade me sairia farta em letras - tanto a acontecer, tantas estreias. No entanto, passaram 8 meses e as palavras vão-se mantendo cá dentro. Há sempre algo para fazer, um colo para dar, roupa para lavar, momentos para namorar e lembrar que não somos só pais.
Mas tenho saudades. E tenho pena que os dias e as sensações que eles trazem não passem dos dedos.
Tenho medo de me esquecer.
Ser grata
De volta aqui
Tive um blog desde que há blogs pelo mesmo motivo que sempre tive diários. Para escrever sobre o o dia-a-dia, para me distanciar do que acontece e poder refletir, para parar o tempo, para recordar o que aconteceu. Para contrariar a sensação de que o tempo passa a voar. Para ler o que aconteceu há um ano atrás e constatar que tanta coisa mudou mesmo quando parece que não aconteceu nada.
Num certo momento A Rainha das Cores passou a ser um bocadinho mais que um diário. Um projeto nasceu, e o blog passou também a ser a plataforma para divulgar as peças de roupa que íam sendo imaginadas e costuradas pelas minhas mãos. Quando descobrimos que um bebé estava a caminho tudo fez ainda mais sentido. Imaginei a criatividade a crescer ao mesmo tempo que a barriga. Pensei que os meses que teria de licença seriam a fase ideal para que algo maior crescesse. Mas a vida não quis que fosse assim, e outro novo projecto nasceu quando a E. era ainda muito muito bebé.
Pensei que os meses de licença me iriam ensinar a estar parada. A usufruir do momento. A não correr, a não pensar no amanhã. Nada disso aconteceu.
Os relógios, as agendas, as correrias, começaram logo no segundo mês. Há alturas em que lamento que tenha sido assim, fora do nosso ritmo. Mas também sei que fiz o que tinha que ser feito. Fiz, talvez fora do tempo, uma mudança que veio melhorar a nossa vida. Que muitas vezes me obriga a trabalhar muitas horas seguidas mas que me permite ter a minha família comigo quando quero.
Desde aí A Rainha das Cores parou. O estúdio de trabalho lá em casa está desarrumado e acumula coisas. A máquina de costura está parada. Não sei quando voltará a trabalhar. Mas sei que vai, um dia.
Entretanto, por entre a correria dos dias, continuo a ter vontade de escrever. Para a minha bebé, à medida que ela cresce, para me lembrar quão pequenina ela já foi. Para que ela um dia possa ler. Para me ouvir a mim mesma, no meio desta experiência tão absorvente, desgastante e maravilhosa que é ser mãe.
Estou de volta aqui.
Num certo momento A Rainha das Cores passou a ser um bocadinho mais que um diário. Um projeto nasceu, e o blog passou também a ser a plataforma para divulgar as peças de roupa que íam sendo imaginadas e costuradas pelas minhas mãos. Quando descobrimos que um bebé estava a caminho tudo fez ainda mais sentido. Imaginei a criatividade a crescer ao mesmo tempo que a barriga. Pensei que os meses que teria de licença seriam a fase ideal para que algo maior crescesse. Mas a vida não quis que fosse assim, e outro novo projecto nasceu quando a E. era ainda muito muito bebé.
Pensei que os meses de licença me iriam ensinar a estar parada. A usufruir do momento. A não correr, a não pensar no amanhã. Nada disso aconteceu.
Os relógios, as agendas, as correrias, começaram logo no segundo mês. Há alturas em que lamento que tenha sido assim, fora do nosso ritmo. Mas também sei que fiz o que tinha que ser feito. Fiz, talvez fora do tempo, uma mudança que veio melhorar a nossa vida. Que muitas vezes me obriga a trabalhar muitas horas seguidas mas que me permite ter a minha família comigo quando quero.
Desde aí A Rainha das Cores parou. O estúdio de trabalho lá em casa está desarrumado e acumula coisas. A máquina de costura está parada. Não sei quando voltará a trabalhar. Mas sei que vai, um dia.
Entretanto, por entre a correria dos dias, continuo a ter vontade de escrever. Para a minha bebé, à medida que ela cresce, para me lembrar quão pequenina ela já foi. Para que ela um dia possa ler. Para me ouvir a mim mesma, no meio desta experiência tão absorvente, desgastante e maravilhosa que é ser mãe.
Estou de volta aqui.
[Amamentar: Criar ao peito; aleitar; dar de mamar a. Nutrir; alimentar]
Antes de estar grávida nunca tinha pensado muito no assunto, mas ao longo da gravidez percebi que iria querer amamentar.
Procurei toda a informação necessária, afastei os mitos que continuam a ter tanto peso - não, não há leites fracos, nem há mães que não produzam leite..., enchi-me de uma confiança serena e solicitei as enfermeiras do hospital vezes sem fim. Pensei - "já que tenho que estar 4 dias no hospital pelo menos vou fazer isto render e usufruir da ajuda constante de profissionais especializados".
Dizia confiante que o objectivo era amamentar até aos 6 meses, mas sem saber o que nos iria esperar. Sem saber por exemplo que a licença de maternidade iria ser vivida de forma corrida, já que com a bebé ainda muito pequenina um projecto profissional novo se atravessou à nossa frente.
Procurei toda a informação necessária, afastei os mitos que continuam a ter tanto peso - não, não há leites fracos, nem há mães que não produzam leite..., enchi-me de uma confiança serena e solicitei as enfermeiras do hospital vezes sem fim. Pensei - "já que tenho que estar 4 dias no hospital pelo menos vou fazer isto render e usufruir da ajuda constante de profissionais especializados".
Dizia confiante que o objectivo era amamentar até aos 6 meses, mas sem saber o que nos iria esperar. Sem saber por exemplo que a licença de maternidade iria ser vivida de forma corrida, já que com a bebé ainda muito pequenina um projecto profissional novo se atravessou à nossa frente.
Um ano a ser mãe
Foi há um ano.
Saí de casa mais um dia, a estranhar as náuseas que sentia cada vez que o pai falava de comprarmos o necessário para as caipirinhas nesse fim-de-semana. Comprei um teste de gravidez meia contrariada porque parte de mim achava impossivel isto estar a acontecer. Fechei-me sozinha numa casa de banho e vi incrédula duas riscas a aparecer.
Ainda que tenha demorado meses até me sentir mãe, sei que deixei de ser só eu desde aquele momento.
Olhando daqui, agora, sei que sou mãe há um ano, desde o momento em que soube que havia mais um coração a bater dentro de mim.
Há um ano que deixei de ser só eu. Há um ano que sou mãe.
Saí de casa mais um dia, a estranhar as náuseas que sentia cada vez que o pai falava de comprarmos o necessário para as caipirinhas nesse fim-de-semana. Comprei um teste de gravidez meia contrariada porque parte de mim achava impossivel isto estar a acontecer. Fechei-me sozinha numa casa de banho e vi incrédula duas riscas a aparecer.
Ainda que tenha demorado meses até me sentir mãe, sei que deixei de ser só eu desde aquele momento.
Olhando daqui, agora, sei que sou mãe há um ano, desde o momento em que soube que havia mais um coração a bater dentro de mim.
Há um ano que deixei de ser só eu. Há um ano que sou mãe.
Onde estão as outras mães?
Minha querida bebé,
comecei a escrever quando passavam uns dias dos teus 4 meses e num abrir e piscar de olhos estamos quase a chegar aos 5.
Parece ter passado num instante mas tu não desperdiçaste esse tempo e em duas semanas aprendeste a fazer uma imensidão de coisas. Já rebolas no chão, já te queres levantar e seguras-te como se fosses um bebé grande. Já consigo carregar-te ao colo só com um braço enquanto tu vais atenta pelo caminho a observar tudo o que acontece. Perdes-te em sorrisos
comecei a escrever quando passavam uns dias dos teus 4 meses e num abrir e piscar de olhos estamos quase a chegar aos 5.
Parece ter passado num instante mas tu não desperdiçaste esse tempo e em duas semanas aprendeste a fazer uma imensidão de coisas. Já rebolas no chão, já te queres levantar e seguras-te como se fosses um bebé grande. Já consigo carregar-te ao colo só com um braço enquanto tu vais atenta pelo caminho a observar tudo o que acontece. Perdes-te em sorrisos
O plano de parto
Fizemos um percurso invulgar. Fomos acompanhados durante toda a gravidez num hospital (público) e quase às 36 semanas optamos por mudar e por ver a nossa bebé nascer noutro hospital, também público.
Não colocamos nunca a hipótese de procurar um hospital privado porque acreditamos que os públicos estão mais preparados para emergências.
Fui-me informando e tornando consciente das questões importantes e dos inúmeros erros e falhas no que toca a nascimentos em hospitais. Demasiado medicalizados, demasiadas intervenções desnecessárias, demasiadas cesarianas, demasiadas anestesias, demasiadas episiotomias.
Questões que não chegam à maioria das mães.
Surpreendi-me, nas aulas de preparação para o parto,
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