Tive um blog desde que há blogs pelo mesmo motivo que sempre tive diários. Para escrever sobre o o dia-a-dia, para me distanciar do que acontece e poder refletir, para parar o tempo, para recordar o que aconteceu. Para contrariar a sensação de que o tempo passa a voar. Para ler o que aconteceu há um ano atrás e constatar que tanta coisa mudou mesmo quando parece que não aconteceu nada.
Num certo momento A Rainha das Cores passou a ser um bocadinho mais que um diário. Um projeto nasceu, e o blog passou também a ser a plataforma para divulgar as peças de roupa que íam sendo imaginadas e costuradas pelas minhas mãos. Quando descobrimos que um bebé estava a caminho tudo fez ainda mais sentido. Imaginei a criatividade a crescer ao mesmo tempo que a barriga. Pensei que os meses que teria de licença seriam a fase ideal para que algo maior crescesse. Mas a vida não quis que fosse assim, e outro novo projecto nasceu quando a E. era ainda muito muito bebé.
Pensei que os meses de licença me iriam ensinar a estar parada. A usufruir do momento. A não correr, a não pensar no amanhã. Nada disso aconteceu.
Os relógios, as agendas, as correrias, começaram logo no segundo mês. Há alturas em que lamento que tenha sido assim, fora do nosso ritmo. Mas também sei que fiz o que tinha que ser feito. Fiz, talvez fora do tempo, uma mudança que veio melhorar a nossa vida. Que muitas vezes me obriga a trabalhar muitas horas seguidas mas que me permite ter a minha família comigo quando quero.
Desde aí A Rainha das Cores parou. O estúdio de trabalho lá em casa está desarrumado e acumula coisas. A máquina de costura está parada. Não sei quando voltará a trabalhar. Mas sei que vai, um dia.
Entretanto, por entre a correria dos dias, continuo a ter vontade de escrever. Para a minha bebé, à medida que ela cresce, para me lembrar quão pequenina ela já foi. Para que ela um dia possa ler. Para me ouvir a mim mesma, no meio desta experiência tão absorvente, desgastante e maravilhosa que é ser mãe.
Estou de volta aqui.
[Amamentar: Criar ao peito; aleitar; dar de mamar a. Nutrir; alimentar]
Antes de estar grávida nunca tinha pensado muito no assunto, mas ao longo da gravidez percebi que iria querer amamentar.
Procurei toda a informação necessária, afastei os mitos que continuam a ter tanto peso - não, não há leites fracos, nem há mães que não produzam leite..., enchi-me de uma confiança serena e solicitei as enfermeiras do hospital vezes sem fim. Pensei - "já que tenho que estar 4 dias no hospital pelo menos vou fazer isto render e usufruir da ajuda constante de profissionais especializados".
Dizia confiante que o objectivo era amamentar até aos 6 meses, mas sem saber o que nos iria esperar. Sem saber por exemplo que a licença de maternidade iria ser vivida de forma corrida, já que com a bebé ainda muito pequenina um projecto profissional novo se atravessou à nossa frente.
Procurei toda a informação necessária, afastei os mitos que continuam a ter tanto peso - não, não há leites fracos, nem há mães que não produzam leite..., enchi-me de uma confiança serena e solicitei as enfermeiras do hospital vezes sem fim. Pensei - "já que tenho que estar 4 dias no hospital pelo menos vou fazer isto render e usufruir da ajuda constante de profissionais especializados".
Dizia confiante que o objectivo era amamentar até aos 6 meses, mas sem saber o que nos iria esperar. Sem saber por exemplo que a licença de maternidade iria ser vivida de forma corrida, já que com a bebé ainda muito pequenina um projecto profissional novo se atravessou à nossa frente.
Um ano a ser mãe
Foi há um ano.
Saí de casa mais um dia, a estranhar as náuseas que sentia cada vez que o pai falava de comprarmos o necessário para as caipirinhas nesse fim-de-semana. Comprei um teste de gravidez meia contrariada porque parte de mim achava impossivel isto estar a acontecer. Fechei-me sozinha numa casa de banho e vi incrédula duas riscas a aparecer.
Ainda que tenha demorado meses até me sentir mãe, sei que deixei de ser só eu desde aquele momento.
Olhando daqui, agora, sei que sou mãe há um ano, desde o momento em que soube que havia mais um coração a bater dentro de mim.
Há um ano que deixei de ser só eu. Há um ano que sou mãe.
Saí de casa mais um dia, a estranhar as náuseas que sentia cada vez que o pai falava de comprarmos o necessário para as caipirinhas nesse fim-de-semana. Comprei um teste de gravidez meia contrariada porque parte de mim achava impossivel isto estar a acontecer. Fechei-me sozinha numa casa de banho e vi incrédula duas riscas a aparecer.
Ainda que tenha demorado meses até me sentir mãe, sei que deixei de ser só eu desde aquele momento.
Olhando daqui, agora, sei que sou mãe há um ano, desde o momento em que soube que havia mais um coração a bater dentro de mim.
Há um ano que deixei de ser só eu. Há um ano que sou mãe.
Onde estão as outras mães?
Minha querida bebé,
comecei a escrever quando passavam uns dias dos teus 4 meses e num abrir e piscar de olhos estamos quase a chegar aos 5.
Parece ter passado num instante mas tu não desperdiçaste esse tempo e em duas semanas aprendeste a fazer uma imensidão de coisas. Já rebolas no chão, já te queres levantar e seguras-te como se fosses um bebé grande. Já consigo carregar-te ao colo só com um braço enquanto tu vais atenta pelo caminho a observar tudo o que acontece. Perdes-te em sorrisos
comecei a escrever quando passavam uns dias dos teus 4 meses e num abrir e piscar de olhos estamos quase a chegar aos 5.
Parece ter passado num instante mas tu não desperdiçaste esse tempo e em duas semanas aprendeste a fazer uma imensidão de coisas. Já rebolas no chão, já te queres levantar e seguras-te como se fosses um bebé grande. Já consigo carregar-te ao colo só com um braço enquanto tu vais atenta pelo caminho a observar tudo o que acontece. Perdes-te em sorrisos
O plano de parto
Fizemos um percurso invulgar. Fomos acompanhados durante toda a gravidez num hospital (público) e quase às 36 semanas optamos por mudar e por ver a nossa bebé nascer noutro hospital, também público.
Não colocamos nunca a hipótese de procurar um hospital privado porque acreditamos que os públicos estão mais preparados para emergências.
Fui-me informando e tornando consciente das questões importantes e dos inúmeros erros e falhas no que toca a nascimentos em hospitais. Demasiado medicalizados, demasiadas intervenções desnecessárias, demasiadas cesarianas, demasiadas anestesias, demasiadas episiotomias.
Questões que não chegam à maioria das mães.
Surpreendi-me, nas aulas de preparação para o parto,
Desafios e aprendizagens...
A meio da consulta do 1º mês com o pediatra ele pergunta: ´Já foram ao cinema?´
Fiquei confusa. Pensei que tínhamos algum filme com bebés marcado e eu me tivesse esquecido. Mas claro, não era nada disso. O que o pediatra perguntava era se os pais já tinham ido ao cinema. 'Aaaah, não, claro que não! Porquê que havíamos de ir ao cinema?'
Lançou-nos então o desafio, como se fosse uma taça que realmente precisássemos de alcançar. Ficou escrito em papel - "1 gota de vigantol por dia, ir ao cinema". Questionei porquê e explicou-nos que era importante, agora que tinha passado um mês, que a mãe (que no caso desta consulta era eu, mas seria aplicado a todas) começasse a experimentar desprender-se da 'cria' e iniciasse programas pessoais e a investir no casal. À saída insistiu com o pai 'não se esqueçam de namorar!'
Do confusa passei para o incrédula e um pouco irritada. Mas se nem tinha 'perdido tempo' a perceber realmente como tinha corrido o nosso primeiro mês. Não reparou que tínhamos tido um mês muito sossegado, que tínhamos jantado quase sempre à mesa, uma vez com velas e tudo! Que vimos vários filmes e a temporada toda de The House of Cards! Que demos caminhadas, que arrisquei ir a uma conferência sobre uma escola na floresta com uma bebé de 15 dias... enfim, que apesar de totalmente mergulhados na paternidade, não nos tínhamos esquecido de nós.
A verdade é que fiquei a pensar naquilo. Por um lado irritava-me a pressa que o mundo tem em separar os bebés das mães. Por outro lado comecei a questionar se não seria apenas eu a arranjar desculpas por, no fundo, não ser capaz de a deixar...
A questão repousou durante um mês... Quando tinham passado dois, comecei a deixar a bebé com o pai para correr. Retomar as corridas passados 9 meses foi muito bom!
Depois fomos os dois fazer yoga - também foi giro voltar às nossas aulas, agora sem uma barriga enorme!
Mas tudo isto eram intervalos muito curtos, então achei que talvez conseguisse ir a um curso de meditação por 4 horas. Passei o dia em conversações com a bomba de tirar leite, consegui tirar um fundinho de biberon que me fizer questionar se o problema seria meu ou dela. Lá deixei o pai com a criança e a coisa até correu bem para o lados deles porque não houve dramas, mas eu, além de exausta com a luta com a bomba, não me consegui focar minimamente. E aí decidi que nunca mais iria fazer algo que não fosse natural, nem nunca me iria propor a um desafio que não nascesse da minha vontade.
Se sou mãe de um bebé de 2 meses que estou a amamentar (e mesmo que não estivesse!), o natural é que ele esteja comigo, sempre!
Se eu vou, o bebé também vai! Se não pode ir, se calhar é porque não é suposto eu própria ir. Com sorte não será mesmo obrigatório que o faça!
Ainda fui mais umas vezes à meditação, mas acompanhada! A bebé dormiu o tempo todo. Eu consegui concentrar-me e retirar muito mais, sabendo que estava comigo e bem.
Pus de lado os conselhos dos outros, pediatras ou não. Sou eu e o teu pai quem sabe o que é melhor para o nosso bebé. E para nós.
Quando os outros se calam, ouvimos a nossa própria voz.
Ser mãe e ser pai não é muito mais do que isso.
Fiquei confusa. Pensei que tínhamos algum filme com bebés marcado e eu me tivesse esquecido. Mas claro, não era nada disso. O que o pediatra perguntava era se os pais já tinham ido ao cinema. 'Aaaah, não, claro que não! Porquê que havíamos de ir ao cinema?'
Lançou-nos então o desafio, como se fosse uma taça que realmente precisássemos de alcançar. Ficou escrito em papel - "1 gota de vigantol por dia, ir ao cinema". Questionei porquê e explicou-nos que era importante, agora que tinha passado um mês, que a mãe (que no caso desta consulta era eu, mas seria aplicado a todas) começasse a experimentar desprender-se da 'cria' e iniciasse programas pessoais e a investir no casal. À saída insistiu com o pai 'não se esqueçam de namorar!'
Do confusa passei para o incrédula e um pouco irritada. Mas se nem tinha 'perdido tempo' a perceber realmente como tinha corrido o nosso primeiro mês. Não reparou que tínhamos tido um mês muito sossegado, que tínhamos jantado quase sempre à mesa, uma vez com velas e tudo! Que vimos vários filmes e a temporada toda de The House of Cards! Que demos caminhadas, que arrisquei ir a uma conferência sobre uma escola na floresta com uma bebé de 15 dias... enfim, que apesar de totalmente mergulhados na paternidade, não nos tínhamos esquecido de nós.
A verdade é que fiquei a pensar naquilo. Por um lado irritava-me a pressa que o mundo tem em separar os bebés das mães. Por outro lado comecei a questionar se não seria apenas eu a arranjar desculpas por, no fundo, não ser capaz de a deixar...
A questão repousou durante um mês... Quando tinham passado dois, comecei a deixar a bebé com o pai para correr. Retomar as corridas passados 9 meses foi muito bom!
Depois fomos os dois fazer yoga - também foi giro voltar às nossas aulas, agora sem uma barriga enorme!
Mas tudo isto eram intervalos muito curtos, então achei que talvez conseguisse ir a um curso de meditação por 4 horas. Passei o dia em conversações com a bomba de tirar leite, consegui tirar um fundinho de biberon que me fizer questionar se o problema seria meu ou dela. Lá deixei o pai com a criança e a coisa até correu bem para o lados deles porque não houve dramas, mas eu, além de exausta com a luta com a bomba, não me consegui focar minimamente. E aí decidi que nunca mais iria fazer algo que não fosse natural, nem nunca me iria propor a um desafio que não nascesse da minha vontade.
Se sou mãe de um bebé de 2 meses que estou a amamentar (e mesmo que não estivesse!), o natural é que ele esteja comigo, sempre!
Se eu vou, o bebé também vai! Se não pode ir, se calhar é porque não é suposto eu própria ir. Com sorte não será mesmo obrigatório que o faça!
Ainda fui mais umas vezes à meditação, mas acompanhada! A bebé dormiu o tempo todo. Eu consegui concentrar-me e retirar muito mais, sabendo que estava comigo e bem.
Pus de lado os conselhos dos outros, pediatras ou não. Sou eu e o teu pai quem sabe o que é melhor para o nosso bebé. E para nós.
Quando os outros se calam, ouvimos a nossa própria voz.
Ser mãe e ser pai não é muito mais do que isso.
Escrever para não esquecer*
Foi há um mês.
Exactamente a esta hora estava rodeada de enfermeiros, anestesistas e outros médicos. Um plantão numa sala fria. Tubos e agulhas.
Tão diferente do que tinha imaginado...
Subscrever:
Mensagens (Atom)





