Tudo passa...

A semana mais dura.
Chegar a casa sempre tarde, sempre cansada.
Ver o dia lá fora pelas janelas e quando por fim 'toca para sair' já é de noite e o cansaço apodera-se de todas as vontades. 
Sentir a rotina a engolir o ânimo e poucos sorrisos para oferecer.

Receber um email com palavras que parecem ter sido escritas especialmente para mim, no momento certo:

Find the things that make you happy, then soak yourself in them.. Allow yourself to feel joy - stop denying yourself the simple pleasures in life and begin recognising and embracing the things that give your soul some sunshine. It can be the little things; fresh sheets, salty skin, the colour of the sky, seeing a sunrise, breakfast in bed, the perfect cup of tea, chocolate, hugging a friend, holding a new born baby, more chocolate, exhausting yourelf on a big run, replaying your favourite song or diving beneath a wave. Life doesn't always need to make sense; perhaps it is not intended to be understood or fulfilled a certain way.. Maybe there is no meaning to life other than to enjoy every single moment Simplicate your mentality - not everything needs to be challenged.. Sometimes it simply is what it is

Outubro

Conseguimos! O primeiro mês com horários de trabalho de perder a conta já passou!
Com organização e alguma descontração, não pretendendo o impossível, apenas que tudo fosse cumprido sem atingir o limite do cansaço.
Dar formação é sempre muito gratificante. O grupo é óptimo e tenho o previlégio de ensinar coisas que me dão o maior dos prazeres. As manhãs têm sido passadas a pintar, a cortar, a costurar, a criar.
Houve sábados a trabalhar. Houve muitos dias em que, chegada a casa às 20h ainda tinha planeamentos para terminar. Houve afazeres domésticos que não param só porque nos dava jeito...
Mas, talvez por esta agenda tão preenchida, houve uma atenção ainda maior para os momentos de sobravam aqui e ali. Houve festejos de aniversários, muitos jantares com amigos, caminhadas longas, workshops de massagens, mudanças de visual, séries no sofá e muitos mimos. Conseguimos escapar-nos para a costa nova e dar mergulhos no mar, incrédulos por estarmos no final de Outubro! Houve notícias recebidas com muita alegria. E oportunidade para retomar um hábito trazido das últimas viagens - o yoga. Todas as semanas, num sítio fantástico, que só por si já traz o estado de espírito pretendido. 


Outubro passou a voar é verdade, mas foi tão bom e tão preenchido que só pode significar que o aproveitamos até ao limite! 


O tempo que corre




O calendário afixado na parede. Horas de formação pintadas a vermelho. Sarrabiscos a evitar o esquecimento. Consultas apontadas a bold. Reuniões importantes que marcarão outros projectos.
Objectivo - cumprir com tudo, não haver falhas que resultarão em ansiedades e ver os dias a passarem calmamente. Aproveitar os bocadinhos livres que sobram aqui e ali para devolver todas as coisas boas que sentimos cá dentro. Caminhar. Fazer yoga. Celebrar a nossa família.
Escaparmos da cidade e da rotina sempre que conseguimos. 
Olhar para o calendário. Ver os dias a passar. Desejar que chegue o final de Novembro para que o trabalho abrande. Assustar-me com a ideia de chegar ao final de Novembro e sentir o tempo a passar tão depressa. Respirar fundo e relaxar. O tempo está a passar depressa sim, num ápice, mas os dias estão a ser saboreados da melhor das formas.

Estar apaixonada é isto...









... deliciar-me com momentos à volta da mesa em que contas que os teus pais te diziam que havia uma vaquinha escondida atrás da máquina das meias de leite...







Segundas assim não custam



Sair cedinho do trabalho, coisa que não tem acontecido muito, e aproveitar esta semana em que não haverá tantas horas de formação, para abrandar a velocidade e matar saudades das pequenas coisas com que gostamos de encher os nossos dias.



Deixar o carro em casa, caminhar. 

Ter tempo para me sentar à frente da máquina de costura a arranjar calças que as travessuras dos meus rapazes estragaram. 

Terminar encomendas d'A Rainha das Cores.

Inventar umas peças novas que poderão ser surpresas a lançar nos próximos tempos.

Ir dando uma espreitadela nos trabalhos de casa e ouvir a história do senhor que punha sementes dentro de balões para espalhar árvores pelo mundo.

Sair para dar um passeio entre as árvores enquanto a chuva deixa e ver os dias a ficarem mais pequeninos.

Ver o Óscar a brincar com outros cães como se tivesse 6 anos.

Regressar a casa para banhos quentes e encher a cozinha de aromas de abrir o apetite.

Jantar cedinho, ainda a tempo de terminar um filme no sofá, sem adormecermos a meio...

Assim, não me importava que fosse 2ª-feira todos os dias...

'No meu tempo não era nada disto...' e outras coisas que dizemos quando começamos a ficar velhos

Ouço o meu pai a dizer que o mal são as pessoas consumistas. Que já ninguém quer saber dos outros e nem se apercebem no que o país está a cair. Andam todos muito ocupados a comprar, a ter. O 'ser' dá muito trabalho e parece que já saiu de moda.

Acho que nem se apercebem que são também um bocadinho assim. Que compram sempre coisas a mais. Que o frigorífico está cheio de coisas que às vezes até passam da validade. Que a televisão está sempre acesa mesmo quando não há ninguém na sala. Que as luzes ficam acesas por onde se passa. Que não conseguem dizer que não sempre que uma criança lhes pede um brinquedinho ou uma lambarice. E que se fartam de comprar coisas que no fundo ninguém vai precisar.

Quando é que ficaram assim sem reparar?

Lembro-me como foi quando cresci. Lembro-me dos meus pais andarem de autocarro. Lembro-me de irmos para o campismo. Lembro-me da minha roupa ser quase sempre emprestada e bem gira! Lembro-me muito dos meus avós, que me estragaram de coisas boas.

De ir ao parque e ao palácio de Cristal dar pão aos patos. De andar de eléctrico e de comboio. Da minha avó me fazer roupa para as bonecas com retalhos que encontrava lá por casa. De fazermos biscoitos à mão e ter que os enrolar em torcidinhos. De apanhar sol de cuecas na varanda. De ir à praia e entrar na fábrica do açúcar à socapa para trazer uma concha de açúcar amarelo entre as mãos.

Lembro-me de sair do colégio e ir à drogaria com a minha mãe comprar barro. Lembro de apanharmos folhas para fazer colagens e desenhos.

De ir ao cinema com o avô aos domingos de manhã. De ir muitas vezes ao clube de vídeo, quando estes começaram a existir, para ir buscar um filme de desenhos animados. De ir à biblioteca e de trazer livros sem parar.

Lembro-me de me deitar com o meu pai e dele me contar histórias. Às vezes inventava e começava a contar aquela da Branca de Neve que levava os 7 anões à praia com uma corda presa à cintura para não se afogarem. Lembro-me do primeiro livro que lhe li. Ainda o tenho, com as folhas riscadas por cima do "Eu sei ler".

Lembro-me de me ensinar a andar de bicicleta sem rodinhas, de me levar com ele para os pavilhões e de o ver a jogar basquete e de como aquilo era importante para ele. Lembro-me de como também foi importante para mim uns anos depois, quando comecei a jogar vólei, a ser capitã de equipa e a lutar para ir à selecção.

Lembro-me dos bolos de aniversário que a minha mãe fazia. Das camisolas de tricot que toda a gente gabava. Das festas de anos no monte de S. Brás com a família toda e os amigos a jogarem à malha, às corridas de saco, à corda...

Lembro-me de levar amigas para a casa da minha avó e dela nos levar a passear à Quinta da Conceição.

Lembro-me dos livrinhos para pintar e fazer jogos e labirintos que o meu pai me trazia dentro dos envelopes do banco.

De ir para Lisboa com os meus avós e correr os museus todos. De ir à praia. À feira popular. De os fazer andar kilómetros para me darem um copinho de ovos moles enquanto o Chiado ardia e nós sem nos apercebermos. De irmos às revistas portuguesas e a cinemas com filmes de 'grandes' em que a avó tinha que me ler as legendas baixinho.

Lembro-me de comprar cada 'Uma aventura' como se fosse o último acontecimento no mundo e de devorar os livros até à frase final. De estar na praia e imaginar que era um deles envolvida em mistérios e peripécias.

Lembro-me de inventar que tinha uma fábrica de bolos na varanda da avó. Ela dava-me caixas vazias e eu fazia os bolos com areia, decorava-os com conchinhas e bonecos, metia-os nas caixas e organizava as encomendas.

Lembro-me de fazermos pasteis de nata e de demorarmos a tarde toda. Fazíamos a massa e tudo.

Lembro-me da minha avó me fazer gemadas. De me dar abacate para comer à colher.

E do meu avô me pôr um pacote de açúcar nos iogurtes e a minha mãe ficar arreliada com isso.

Lembro-me do meu irmão ser pequeno e de ir ao meu mealheiro tirar moedas para lhe comprar a família dos esquilos.

E de juntar moeda a moeda até conseguir comprar um porta moedas adorável da Benetton.

Lembro-me da minha mãe não me vestir de fada nem de princesa no carnaval. E de não me terem posto no ballet como eu lhes pedi.

Ainda assim corria por todo o lado, fazia ginástica, andava na natação. Saltava à corda e ao elástico. Ganhava aos rapazes a lançar o pião e jogava futebol melhor que eles.

Só se me esforçar é que me lembro dos brinquedos que tinha. E sei que adorava todas as imensas barriguitas e todos os acessórios, as duas barbies que tinha e todos os lápis de colorir. A boneca que fazia bolinhas de sabão e a que gatinhava. Mas só se fizer um esforço, porque não são as coisas que tinha que me chegam à memória quando penso na minha infância.

Não sei se eles se apercebem que fizeram tudo bem.

E que no fundo, é só isso que quero que os meus filhos, um dia, possam vir a dizer.

Perdição









Perder-me nas propostas desta marca espanhola para os quartos de criança (e não só!).