Segundas assim não custam



Sair cedinho do trabalho, coisa que não tem acontecido muito, e aproveitar esta semana em que não haverá tantas horas de formação, para abrandar a velocidade e matar saudades das pequenas coisas com que gostamos de encher os nossos dias.



Deixar o carro em casa, caminhar. 

Ter tempo para me sentar à frente da máquina de costura a arranjar calças que as travessuras dos meus rapazes estragaram. 

Terminar encomendas d'A Rainha das Cores.

Inventar umas peças novas que poderão ser surpresas a lançar nos próximos tempos.

Ir dando uma espreitadela nos trabalhos de casa e ouvir a história do senhor que punha sementes dentro de balões para espalhar árvores pelo mundo.

Sair para dar um passeio entre as árvores enquanto a chuva deixa e ver os dias a ficarem mais pequeninos.

Ver o Óscar a brincar com outros cães como se tivesse 6 anos.

Regressar a casa para banhos quentes e encher a cozinha de aromas de abrir o apetite.

Jantar cedinho, ainda a tempo de terminar um filme no sofá, sem adormecermos a meio...

Assim, não me importava que fosse 2ª-feira todos os dias...

'No meu tempo não era nada disto...' e outras coisas que dizemos quando começamos a ficar velhos

Ouço o meu pai a dizer que o mal são as pessoas consumistas. Que já ninguém quer saber dos outros e nem se apercebem no que o país está a cair. Andam todos muito ocupados a comprar, a ter. O 'ser' dá muito trabalho e parece que já saiu de moda.

Acho que nem se apercebem que são também um bocadinho assim. Que compram sempre coisas a mais. Que o frigorífico está cheio de coisas que às vezes até passam da validade. Que a televisão está sempre acesa mesmo quando não há ninguém na sala. Que as luzes ficam acesas por onde se passa. Que não conseguem dizer que não sempre que uma criança lhes pede um brinquedinho ou uma lambarice. E que se fartam de comprar coisas que no fundo ninguém vai precisar.

Quando é que ficaram assim sem reparar?

Lembro-me como foi quando cresci. Lembro-me dos meus pais andarem de autocarro. Lembro-me de irmos para o campismo. Lembro-me da minha roupa ser quase sempre emprestada e bem gira! Lembro-me muito dos meus avós, que me estragaram de coisas boas.

De ir ao parque e ao palácio de Cristal dar pão aos patos. De andar de eléctrico e de comboio. Da minha avó me fazer roupa para as bonecas com retalhos que encontrava lá por casa. De fazermos biscoitos à mão e ter que os enrolar em torcidinhos. De apanhar sol de cuecas na varanda. De ir à praia e entrar na fábrica do açúcar à socapa para trazer uma concha de açúcar amarelo entre as mãos.

Lembro-me de sair do colégio e ir à drogaria com a minha mãe comprar barro. Lembro de apanharmos folhas para fazer colagens e desenhos.

De ir ao cinema com o avô aos domingos de manhã. De ir muitas vezes ao clube de vídeo, quando estes começaram a existir, para ir buscar um filme de desenhos animados. De ir à biblioteca e de trazer livros sem parar.

Lembro-me de me deitar com o meu pai e dele me contar histórias. Às vezes inventava e começava a contar aquela da Branca de Neve que levava os 7 anões à praia com uma corda presa à cintura para não se afogarem. Lembro-me do primeiro livro que lhe li. Ainda o tenho, com as folhas riscadas por cima do "Eu sei ler".

Lembro-me de me ensinar a andar de bicicleta sem rodinhas, de me levar com ele para os pavilhões e de o ver a jogar basquete e de como aquilo era importante para ele. Lembro-me de como também foi importante para mim uns anos depois, quando comecei a jogar vólei, a ser capitã de equipa e a lutar para ir à selecção.

Lembro-me dos bolos de aniversário que a minha mãe fazia. Das camisolas de tricot que toda a gente gabava. Das festas de anos no monte de S. Brás com a família toda e os amigos a jogarem à malha, às corridas de saco, à corda...

Lembro-me de levar amigas para a casa da minha avó e dela nos levar a passear à Quinta da Conceição.

Lembro-me dos livrinhos para pintar e fazer jogos e labirintos que o meu pai me trazia dentro dos envelopes do banco.

De ir para Lisboa com os meus avós e correr os museus todos. De ir à praia. À feira popular. De os fazer andar kilómetros para me darem um copinho de ovos moles enquanto o Chiado ardia e nós sem nos apercebermos. De irmos às revistas portuguesas e a cinemas com filmes de 'grandes' em que a avó tinha que me ler as legendas baixinho.

Lembro-me de comprar cada 'Uma aventura' como se fosse o último acontecimento no mundo e de devorar os livros até à frase final. De estar na praia e imaginar que era um deles envolvida em mistérios e peripécias.

Lembro-me de inventar que tinha uma fábrica de bolos na varanda da avó. Ela dava-me caixas vazias e eu fazia os bolos com areia, decorava-os com conchinhas e bonecos, metia-os nas caixas e organizava as encomendas.

Lembro-me de fazermos pasteis de nata e de demorarmos a tarde toda. Fazíamos a massa e tudo.

Lembro-me da minha avó me fazer gemadas. De me dar abacate para comer à colher.

E do meu avô me pôr um pacote de açúcar nos iogurtes e a minha mãe ficar arreliada com isso.

Lembro-me do meu irmão ser pequeno e de ir ao meu mealheiro tirar moedas para lhe comprar a família dos esquilos.

E de juntar moeda a moeda até conseguir comprar um porta moedas adorável da Benetton.

Lembro-me da minha mãe não me vestir de fada nem de princesa no carnaval. E de não me terem posto no ballet como eu lhes pedi.

Ainda assim corria por todo o lado, fazia ginástica, andava na natação. Saltava à corda e ao elástico. Ganhava aos rapazes a lançar o pião e jogava futebol melhor que eles.

Só se me esforçar é que me lembro dos brinquedos que tinha. E sei que adorava todas as imensas barriguitas e todos os acessórios, as duas barbies que tinha e todos os lápis de colorir. A boneca que fazia bolinhas de sabão e a que gatinhava. Mas só se fizer um esforço, porque não são as coisas que tinha que me chegam à memória quando penso na minha infância.

Não sei se eles se apercebem que fizeram tudo bem.

E que no fundo, é só isso que quero que os meus filhos, um dia, possam vir a dizer.

Perdição









Perder-me nas propostas desta marca espanhola para os quartos de criança (e não só!). 



Desafio da semana




Deixar de viver com a lista de tarefas presa a mim mesma. Deixar de prejudicar o que está a acontecer agora por estar a pensar no que vem a seguir. Deixar de me sentir mal por o tempo não chegar para tudo. 

Viver com todos os sentidos o que está a acontecer agora. 

Respirar

Segundas assim não custam






Sair do trabalho às 18h e pouco depois estar rodeada de verde. Ter tempo para passear entre as árvores, brincar com os cães da quinta, dar de comer às cabras, ver galinhas e patos. Trazer abóboras e ver como os espinafres são fora dos sacos do supermercado.
Sentarmo-nos enfim à mesa para nos deliciarmos com carne produzida na quinta, arroz e batatinhas de forno a lenha, legumes que vimos plantados. Não termos que advertir uma única vez pela comida que ainda está no prato, tal é o prazer com que se come.
Regressar cedo a casa a imaginar como seria se a nossa casa fosse num sítio assim. A 30km do Porto mas numa aldeia.
A semana a começar da melhor forma, para nos dar boas energias para a etapa de muito trabalho que por aí vem...


Inspiração

«Numa época de tanta crise, em que nenhum de nós escapa ao sofrimento, e em que todos somos obrigados a trabalhar mais, a contribuir mais, e a ganhar muito menos, temos que seguir os exemplos de quem se recusa a desistir nem se deixa vencer. Há uma frase do poeta Khalil Gibran que passo a vida a citar (e a recordar mentalmente) que nos devia interpelar a todos neste momento em que somos chamados a tantos sacrifícios: "não perguntes à vida o que ela te pode dar; pergunta a ti próprio o que podes dar à vida!". Para mim esta é a única atitude que nos permite atravessar desertos e oceanos no meio das tempestades. Vivo sem subsídios de férias e Natal há quase 5 anos; não tenho carro há quase 3 e mudei substancialmente de vida nos últimos anos, e por tudo isto sei dar valor e sei o que é estar em comunhão com os que sofrem ou sentem que o seu mundo está a desmoronar. A minha experiência é a de que há e haverá sempre mais caminhos do que aqueles que a vista alcança. O segredo é confiar e trabalhar, trabalhar, trabalhar. Tentar sempre fazer mais e melhor e nunca desistir!» Laurinda Alves

texto lido aqui, nesta janela que é sempre uma inspiração e uma ode à esperança, uma celebração contínua das coisas boas da vida, filosofia que gostamos tanto de partilhar e de viver com quem temos à nossa volta.
ter a nossa 'família' com um jardim com muralhas à volta, cuidar dele, receber quem vem por bem. partilhar. e protegê-lo das coisas más e mesquinhas lá fora. aceitar os momentos menos bons como sendo fases naturais da vida e acreditar sempre que conseguiremos mudá-los. e quando isso não é possível, aceitá-los e encará-los de outra forma, ou esperar apenas que por vezes a vida se resolva por si.

começar o fim-de-semana com amigas, em horas de conversas que poderiam desenrolar-se pela noite dentro. partilhar os sonhos e as angústias com igual coragem, porque fazem igualmente parte do que somos e porque nos fazem mover de igual forma.
orgulho. sentir orgulho por vos ter. sentir gratidão por me inspirar em vocês. por me sentir acompanhada nesta terra que às vezes parece egoísta e ingrata. sentir alívio por me reconhecer em vocês os meus valores. 
sentir vontade, muita, de continuar a seguir por esta vida com vocês do meu lado


E eu que até sou daquelas pessoas que, no final do Verão, começo a ter vontade de roupa quentinha, de serões a ver filmes, de árvores vermelhas e amarelas e de calcar folhas pelo chão. Do cheiro a castanhas assadas pelas ruas e dos diospiros e das papas de abóbora que a avó faz.
Mas quando o Verão parte assim, sem nos deixar sequer despedir, sem nos termos apercebido que aqueles dias no início de Agosto seriam os dias dos últimos mergulhos, os últimos churrascos, as últimas oportunidades para usar vestidos de alcinhas e deixar os casacos em casa... 
Podem vir só mais uns fins-de-semana com o sol a brilhar? 
Sem ventos, chuvas e trovoadas?
Sem ter que abrir a pasta das fotografias para recordar que ainda estamos no Verão?