Inícios
As aulas a começarem e a ditarem outro ritmo. Os relógios ordenam-se, a organização afinca, o primeiro quarto foi 'destralhado' e cheira a ordem, convida a entrar e a estar. As roupas ficam prontas na véspera, com hipótese aberta para a chuva que promete aparecer. Uma ansiedade miudinha no ar que tentamos descansar. Este ano vai correr tudo bem!
A manhã a despertar calma, sem pressas. O lanche preparado.
Uma fotografia na lancheira para não ter saudades do Óscar.
E ao sairmos de casa a frase que todos pagaríamos para ouvir - "Até estou um bocadinho contente por a escola começar!"
O poder do menos
É a grande luta lá de casa.
Partilho a vida com rapazes que gostam de muitas coisas. Gostam de ter acessórios que eles pensam que lhes permitem fazer muitas coisas. Que são uns saudosistas que se apegam e quase choram (às vezes há mesmo lágrimas) quando alguém (eu!) decide pôr fora uma manta que já está velha, uma camisola que já não serve ou um frasco que quebrou um dos cantos.
Acredito no poder do menos. E vejo o demasiado com um dos grandes males da fase que vivemos.
O demasiado cansa, desorganiza, faz-nos sentir atolados de coisas, de tarefas para as organizar e sem espaço para inventar, para criar, para viver.
Meaningful
Bodie A Rainha das Cores
E depois aqueles momentos em que a soma das horas aqui me faz questionar o porquê das coisas.
Porque tenho que contar tantas horas em frente a um computador quando há tantas coisas que gostava e que precisava de estar a fazer.
Tantas peças por tricotar, tantas camisolas por fazer, tantas coisas por criar.
Tantas cores à minha espera.
Às vezes pergunto se é realismo ou falta de coragem.
Não acreditar um bocadinho mais.
Não calar o medo.
Não optar por ficar a contar as horas até poder voltar onde sou eu. Onde sou feliz.
Stop all the clocks
Todos os dias a mesma pergunta - como faço parar o tempo?
Os dias voam e a lista de tarefas continua ali, intacta, a olhar para mim, como que a avisar que está para ficar e que o tamanho das letras vai aumentando à medida que o tempo passa.
Avizinham-se meses mais que preenchidos, em que vai ser necessária tudo planeado e organizado ao pormenor.
E até conseguir sentir que tudo está sob controlo mantenho-me num nervoso miudinho em que não se produz nem se goza o tempo.
Deste fim-de-semana não passa. Serei só eu, o computador e livros, numa biblioteca ou num café bonito. Longe dos que tanto amo e que me conseguem distrair num milésimo de segundo.
Prometo a mim mesma.
Quando o 'nós' é maior que a soma das partes
Os dias têm sido tão preenchidos de coisas boas. De passeios. De jantares com amigos. De serões a dois a ver filmes e séries. De exposições. De voltas pelo parque. De planos para o que está para vir.
Todos os dias, mesmo nos mais cinzentos e desgastantes, sei que tudo está bem porque vou regressar ao sítio onde estão as pessoas que amo e onde sou feliz.
E mesmo quando falamos em línguas diferentes e estamos com menos paciência, há sempre a vontade de nos sentarmos e voltarmos a nós... onde somos mais.
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