Não há ninguém tão doce como tu
Foi um sábado ainda mais especial.
Recordo um passeio uns meses antes, naquelas visitas curtas em que o nosso tempo era tão cronometrado que combinávamos caminhadas à hora em que todos ainda estão a dormir para não deixarmos passar a oportunidade de nos vermos. Andávamos por entre as árvores e falávamos dos caminhos que queríamos que as nossas vidas tomassem.
E na altura parecia que estávamos tão longe.
Depois ligaste-me nos meus anos.
Férias
Foram 15 dias pelo norte. Na primeira semana ainda comigo a trabalhar e a encontrar-me com os meus rapazes ao final do dia. A dar caminhadas à beira-mar logo pela manhã. A usar o fogareiro para churrascos e peixinho grelhado ao final do dia. Tivemos até direito a um dia de chuva passado no sofá a ver filmes.
O mais importante - o tempo parou. Não houve correrias, nem ânsias, nem amuos por causa do vento e do frio que também apareceu.
A segunda semana levou-nos à nossa Costa Nova, numas férias em família, que já não acontecia há mais anos do que a memória consegue contar.
Todos juntos na praia, à mesa, a ir à pesca, nos hábitos tão típicos de começar a decidir o jantar ainda durante o almoço.
Nunca conseguimos pescar nada mas não faltou peixe na mesa - douradas, robalos, enguias, sardinhas. E as ondas não estavam boas para o surf mas leram-se livros de uma assentada enquanto se rolava na toalha.
Andamos de bicicleta, comemos gelados de abóbora com nozes e taaantos ovos moles que até teríamos vergonha de contar.
Tivemos visitas da outra parte da família e juntamos todos à volta de sorrisos e notícias boas, muito boas.
Voltamos com o coração cheio, com muita vontade que o verão possa esticar e que ainda nos dê muitos mais dias destes.
E se...?
Temos falado muito disso, sempre como uma ideia longínqua.
E se um dia saíssemos da cidade? E se vivêssemos um bocadinho mais longe?
Se procurássemos um sítio mais calmo, onde os segundos demorassem mais a passar, onde não nos sentíssemos atropelados pelas obrigações e onde tivéssemos mais tempo para desfrutarmos das coisas simples e boas, de estarmos simplesmente uns com os outros?
Um sítio onde as crianças pudessem andar na rua sem medos e as bicicletas ficassem apoiadas na entrada sem que ninguém as levasse. Onde as coisas cheirassem mais a terra e não houvesse filas - no supermercado, no trânsito.
Onde soubéssemos de onde vêm as coisas que comemos, onde tivéssemos tempo para dar passeios longos ao final do dia, como ontem.
Onde o início e o fim dos dias fosse mais ditado pelo nascer e pelo pôr do sol e menos pelos despertadores.
Vamos falando disso, fazendo exercícios e imaginando como seria. Do que iríamos sentir falta, como conseguiríamos manter os empregos na cidade, para onde nos mudaríamos...
Até que isso aconteça, um dia, vamos aproveitando as coisas boas dos sítios que nos rodeiam.
Lazy&sweet saturday
Um sábado só para nós os dois, uma raridade. E o tempo a pregar-nos partidas e a não nos deixar cumprir o sempre favorito plano de praia.
Um café bem cedinho num sítio bonito do Porto onde entramos no meio de um dilúvio. Entre o café, leituras e com aquele panorama climático decidimos fazer uma visita ao ikea seguida por sessão de cinema.
Nunca tínhamos ido ao cinema sozinhos. É verdade.
As horas no ikea multiplicaram-se e nem nos aborrecemos com o mar de gente que por lá andava. Passamos horas a planear, a projectar. A ver fotografias e a imaginar como seria a nossa casa assim. Se mudássemos o sofá para apanhar mais luz. Que renovássemos uma poltrona para fazer uma área de 'estar'. Se mudássemos o quarto do pequenito para ele voltar a ter vontade de passar mais horas a brincar por lá. Se nos déssemos uns armários bem giros para o nosso quarto. Se pintássemos o aparador antigo que lá temos.
As horas a voar sem darmos por ela. Voltarmos a casa e pormos logo algumas mudanças em prática. Com duas ou três coisas e sentimos logo as mudanças no ar.
Depois o direito ao cinema, com um filme bem escolhido e direito a um balde de pipocas (já não me lembrava o que eram pipocas!).
Regressar a casa a desejar mais dias destes, em que temos tempo para conversar sobre tudo sem pressas nem interrupções.
E a desejar-nos um bocadinho mais.
Sweet July
Quando há um mês me sentava rodeada da minha família do coração e festejava a vida, comentando que 6 meses antes tínhamos estado todos também ali, a comer 12 m&m e a pedir desejos, não sabia que Julho iría ser tão bom.
Não sabia que na segunda festa deste mês a família estaria toda reunida. Não sabia que ía conseguir ir pôr os pés na areia da Costa Nova como sempre desejo. Nem que haveria (finalmente) recompensas profissionais. Que iria passear tanto a minha bicicleta nova (não sabia sequer que iria receber uma bicicleta linda!). Não sabia que ía apaixonar-me ainda mais pelo que é o meu maior companheiro de aventuras e o que faz, sem dúvida, com que a vida seja boa e desafiante como é.
Julho foi um mês que trouxe respostas. Que resolveu problemas. Que teve muita luz.
Julho foi um mês doce.
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