E se...?



Temos falado muito disso, sempre como uma ideia longínqua.
E se um dia saíssemos da cidade? E se vivêssemos um bocadinho mais longe?
Se procurássemos um sítio mais calmo, onde os segundos demorassem mais a passar, onde não nos sentíssemos atropelados pelas obrigações e onde tivéssemos mais tempo para desfrutarmos das coisas simples e boas, de estarmos simplesmente uns com os outros?
Um sítio onde as crianças pudessem andar na rua sem medos e as bicicletas ficassem apoiadas na entrada sem que ninguém as levasse. Onde as coisas cheirassem mais a terra e não houvesse filas - no supermercado, no trânsito.
Onde soubéssemos de onde vêm as coisas que comemos, onde tivéssemos tempo para dar passeios longos ao final do dia, como ontem.
Onde o início e o fim dos dias fosse mais ditado pelo nascer e pelo pôr do sol e menos pelos despertadores.
Vamos falando disso, fazendo exercícios e imaginando como seria. Do que iríamos sentir falta, como conseguiríamos manter os empregos na cidade, para onde nos mudaríamos...
Até que isso aconteça, um dia, vamos aproveitando as coisas boas dos sítios que nos rodeiam.

Surf&Friends







Lazy&sweet saturday




Um sábado só para nós os dois, uma raridade. E o tempo a pregar-nos partidas e a não nos deixar cumprir o sempre favorito plano de praia. 
Um café bem cedinho num sítio bonito do Porto onde entramos no meio de um dilúvio. Entre o café, leituras e com aquele panorama climático decidimos fazer uma visita ao ikea seguida por sessão de cinema. 
Nunca tínhamos ido ao cinema sozinhos. É verdade.
As horas no ikea multiplicaram-se e nem nos aborrecemos com o mar de gente que por lá andava. Passamos horas a planear, a projectar. A ver fotografias e a imaginar como seria a nossa casa assim. Se mudássemos o sofá para apanhar mais luz. Que renovássemos uma poltrona para fazer uma área de 'estar'. Se mudássemos o quarto do pequenito para ele voltar a ter vontade de passar mais horas a brincar por lá. Se nos déssemos uns armários bem giros para o nosso quarto. Se pintássemos o aparador antigo que lá temos.
As horas a voar sem darmos por ela. Voltarmos a casa e pormos logo algumas mudanças em prática. Com duas ou três coisas e sentimos logo as mudanças no ar. 
Depois o direito ao cinema, com um filme bem escolhido e direito a um balde de pipocas (já não me lembrava o que eram pipocas!).
Regressar a casa a desejar mais dias destes, em que temos tempo para conversar sobre tudo sem pressas nem interrupções. 
E a desejar-nos um bocadinho mais.

Sweet July








Quando há um mês me sentava rodeada da minha família do coração e festejava a vida, comentando que 6 meses antes tínhamos estado todos também ali, a comer 12 m&m e a pedir desejos, não sabia que Julho iría ser tão bom. 
Não sabia que na segunda festa deste mês a família estaria toda reunida. Não sabia que ía conseguir ir pôr os pés na areia da Costa Nova como sempre desejo. Nem que haveria (finalmente) recompensas profissionais. Que iria passear tanto a minha bicicleta nova (não sabia sequer que iria receber uma bicicleta linda!). Não sabia que ía apaixonar-me ainda mais pelo que é o meu maior companheiro de aventuras e o que faz, sem dúvida, com que a vida seja boa e desafiante como é. 

Julho foi um mês que trouxe respostas. Que resolveu problemas. Que teve muita luz.

Julho foi um mês doce. 








Viver sítios assim é isto...
é trazê-los connosco e saborear as memórias como se estivéssemos lá. Com a certeza de que um dia vamos voltar.

Trazer hábitos na mala de férias






Era assim em Bali. Acordar às 6h30, tomar um pequeno almoço leve e sair para a praia, para uma aula de surf, uma corrida ou para o yoga. 
Prometemos que quando voltássemos não iríamos deixar cair o hábito e esta semana temos mostrado a nós próprios que mesmo custando sair da cama tão cedo é possível visitar o mar logo pela manhã, quando ainda não há transito nem ninguém na praia. 
Depois é só tomar um duche rápido e frio na praia e ir para o trabalho com energia redobrada e um sorriso grande de quem, sem ninguém imaginar, já teve um momento digno de vir a ser o melhor do dia!





Família





família é uma palavra bonita demais, a que tantas vezes não damos o devido respeito. nem valor. porque deve ser o maior elogio que alguém nos pode dar: chamar-nos família.
a primeira família que temos, a de sangue, como se costuma dizer não se escolhe. não se encontra. e por isso é tão especial, porque somos sangue do mesmo sangue, gene do mesmo gene, porque nascemos juntos, somos o nosso clã: aqueles que serão os nossos para sempre. mas depois existe a família que vai crescendo ao longo da vida, não pelos laços de sangue ou parentesco, mas pelos amigos que viraram primos, tios, manos e manitas. sim, porque aos amigos que são mais, dá-se um nome de família. são meus amigos? não, são minha família..

a diferença da família para os amigos é a presença. os amigos vão e vem. estão mais próximos ou mais longe. a família não está, é! a família nunca fica longe, fica apenas mais calada. os amigos chateiam-se, a família entende. os amigos cobram quando não telefonamos. a família telefona. os amigos não sabem quando são os momentos importantes da vida. a família aparece sempre sem precisar de aviso: lá de trás da porta, da casa ao lado, do outro lado do mundo, mas aparece sempre. e continuam as mesmas conversas de sempre como se fossem ontem. os amigos combinam para se encontrar. a família bate-nos a porta. aliás, a família entra pela porta mesmo sem bater, porque tem a chave de casa. aos amigos dizemos que gostamos. à família dizemos que os amamos. dos amigos sentimos saudades. da família sentimos a falta. os amigos enchem-nos os dias de coisas boas. a família enche-nos a vida de coisas boas.

como ontem, quando um dia difícil se meteu no meio de nós, apertou-nos o coração, quebrou-nos as forças. dia de merda, deixou-nos os olhos em lágrimas. mas o dia, mesmo duro - muito duro -, foi mais fácil porque a família estava lá. e nem foi preciso combinar: foram aparecendo, almoçou-se, conversou-se, fez-se companhia, bebeu-se uma verde, amparou-se os abraços, e os braços. e juntos, fomos família



texto que me faz sempre ficar com água nos olhos, revisitado aqui

O começar dos dias





Todos os dias, chegar ao trabalho, subir os estores, ligar a máquina do café, ligar o computador, encher uma caneca grande de café quente e sentar-me por trinta minutos a ler os meus blogs preferidos. Por vezes vão mudando, tem fases... mas há alguns (1, 2, 3, 4) que acompanho sempre. Sorvo-os e inspiro-me. Sigo os links que recomendam e descubro outras preciosidades. Viajo por mundos bonitos, por projectos inspiradores e acredito mais um bocadinho que é possível. Sim, é possível fazer coisas acontecerem. É possível continuar a acreditar que a vida pode ser o que nós fazemos dela.

Um dia vou chegar ao trabalho, vou subir os estores e não vai ser preciso ligar o computador para ver sonhos a acontecer.







Cão como nós



A minha companhia no pequeno-almoço, todas as manhãs. Espera pacientemente que caia uma migalha ou um pedaço de fruta. Quando percebe que já não há nada no prato começa a agitação do passeio à rua. Temos caminhado mais devagarinho, mas ainda fazemos o mesmo passeio pela quinta, logo de manhã e obrigo-o a ir pelo caminho com escadas para as patas não ficarem preguiçosas. Desperta sempre mais um bocadinho entre as árvores. Depois, o regresso pachorrento a casa e a preguiça solitária até sentir a porta abrir outra vez.
Hoje vou-te levar uma surpresa!

Motivos para festejar

Fim-de-semana de chuva a trazer um bocadinho de outono para o meio do verão. Não fosse a quantidade tamanha de coisas para preparar e teria-me-ia virado aos astros.
Um sábado passado à volta de panelas, batedeiras, enfeites e tudo o mais para que não faltasse nada para o grande dia. Ainda houve tempo para uma horinha de ginástica e uma boa caminhada com uns mimos quando o sol resolveu aparecer.
No domingo, a casa cheia. Uma mesa comprida com muitas gargalhadas, muita comida boa, muitas coisas doces. As nossas famílias todas juntas. Avós de uns e tios de outros, os pais todos e ainda alguns amigos que são como família.
Um passeio para aproveitar o dia bonito que se pôs. Programas de receitas assistidos em grupo com promessas de repetir aquelas iguarias em próximos encontros. Presentes de crochet e planos para arranjar tempo para me dedicar a aprender. Abrir pela primeira vez a pasta das fotografias das férias para as vermos todos juntos. E o dia a esticar, a esticar, a esticar e a casa só voltar ao silêncio quase ao passar para o dia seguinte.
Um silêncio cheio.
Ontem aconteceram coisas boas e raras ali.
E eu continuo a dizer - a nossa casa 'faz bem´.

Banana smile... i hope!

Andar com vontade de panquecas para o lanche, passar por um mercadinho e comprar farinha de arroz e de alfarroba, o resto dos ingredientes já esperavam em casa - leite de soja, ovos, aveia.

Preparar tudo e... uma desgraça gastronómica. Tivemos que nos contentar com torradas e iogurte porque daquele fogão não saiu nada que se pudesse comer.

Hoje, a primeira coisa foi procurar outras receitas, bem descritas, que garantam que tudo vai correr bem.

A próxima vez vou experimentar estas: Banana Smile!

Prometo deixar aqui uma fotografia!

Bali



Tanto tempo afastada daqui...
Há alturas em que é preciso apenas saborear o que está a acontecer.

Há um mês, festejávamos o aniversário de um amigo brasileiro em Bali. Comíamos sushi maravilhoso, bebíamos cerveja na happy hour, dancávamos em festas cheias de gente bonita, descobríamos bares e restaurantes que adorava ter cá. Mergulhávamos naquelas ondas gigantes e ficávamos a ondular, rendidos à temperatura do mar. Fazíamos sestas por termos acordado tão cedo para surfar ou fazer yoga. Bebíamos sumos de fruta a toda a hora e andávamos de mota por ruelas entre os arrozais.

Foi esta a viagem que veio mudar o rumo a este ano e veio trazer as energias boas que andávamos há tanto a precisar.





Laços




Sim, sou como as crianças e o meu aniversário é um dia que me deixa em pulgas.
Acho que me consigo entusiasmar com todas as datas que se possam transformar em rituais e que sejam pretextos para reunirmos aqueles de quem gostamos à nossa volta.
Faço anos precisamente a meio do ano e este ano, quando nos sentámos à mesa que já não chegou para todos, relembramos que fazia exactamente 6 meses desde que tínhamos estado ali, à volta da mesma mesa, para festejar o início de 2014.
Talvez por esta 'matemática', este é sempre um momento para balanço. Vale sempre a pena rever as resoluções do ano e ver como andam as coisas.

Ficar em silêncio por uns momentos e observar apenas quem está à minha volta. Sentir a nossa casa cheia e aceitar que sim, que ela tem mesmo uma energia boa, que faz as pessoas virem e ficarem. Sentir-me abençoada por todas as coisas que têm acontecido e por ter pessoas tão boas à minha volta. Por os conhecer a todos, por dentro. E por sabermos que podemos contar uns com os outros. Que o mundo pode ser cruel lá fora, mas que os laços que criamos entre nós serão sempre uma rocha. Algo que nos conta quem somos mesmo nos momentos mais perdidos. Que reconforta quando há feridas a sarar. Que lança foguetes quando há motivos para festejar. Que vira frontalidade quando há verdades a ser ditas.

Ter orgulho por ver reunidas pessoas com quem partilho a vida desde os 3 anos, outras 4, outras desde os 12... 16... Tanto de nós nas memórias. Tanto de nós vivo ainda hoje porque existimos juntos.

Ter orgulho por sermos verdade. Por não haver máscaras. Por não haver reservas quando o assunto é falar do que nos vai na alma e no coração. Por nos cuidarmos uns aos outros. Por a maior parte das vezes e sempre que é preciso, estarmos lá.

Amo-vos do fundo do coração e sei que o que sou hoje deve-se à(s) amizade(s) que fomos construindo.

Espero ver-nos a todos, bonitos e insuportáveis, daqui a muitos anos, a fazermos picnics no parque e a sermos nós!

  “I think if I've learned anything about friendship, it's to hang in, stay connected, fight for them, and let them fight for you. Don't walk away, don't be distracted, don't be too busy or tired, don't take them for granted. Friends are part of the glue that holds life and faith together. Powerful stuff.” 
― Jon Katz






A fábula do pirilampo e da serpente


Era uma vez uma serpente amargurada, que resolveu perseguir um pirilampo que só vivia para brilhar.

O pirilampo, tremendo de medo, tentava fugir o mais rápido que podia. Já a serpente, com sua expressão feroz, vivia somente para o perseguir e jamais pensava em desistir.

Fugiu um dia, fugiu outro e ao terceiro, já sem forças, o pirilampo finalmente parou e disse à serpente:

Será que te posso fazer três perguntas?
- Não costumo permitir isso, mas já que te vou comer, deixo que o faças.
- Pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não.
- Fiz-te algum mal?
- Não.
- Então porque é que me queres comer?
- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!


Aceitar que as serpentes existem e vão existir sempre. 
Cuidar do nosso reino como a um jardim e continuar a fazer com que os valores em que acreditamos sejam os que valem.

Índia






A nossa primeira viagem grande. A primeira aventura de mochila às costas e bilhetes de avião na mão, sem grandes planos, desenhando o nosso percurso ao sabor do vento e das vontades...às vezes ao sabor dos sítios onde pudéssemos encontrar cerveja ou uma mota para alugar :)
Agora, uns meses depois, começamos a contagem decrescente para a nossa próxima aventura. Mas antes disso, saborear algumas recordações da nossa Índia.

(prometo para a próxima levar máquina fotográfica para não ficar apenas com registos fotográficos de pouca qualidade...)



Um dia vai ser assim



Acordar. Abrir todas as janelas da casa para deixar o sol entrar (os rapazes lá de casa preferem manter a casa na penumbra durante as primeiras horas da manhã, mas eu contrario-os sempre...). Tomar um pequeno almoço bom e bonito já sozinha, com tempo para planear a semana.
Sair de casa de bicicleta. Ir entregar encomendas e descer com o vento na cara até à Baixa, até ao sítio onde um dia vou deixar de trabalhar porque vou ter um sítio assim.




imagem Pintrest 

Lisboa




Um fim-de-semana em cheio. Com tempo para fazer tudo devagar.
Apanhar o comboio na sexta ao final do dia e aproveitar ainda as horas da viagem para terminar o trabalho da semana. Há algo nos comboios que me faz ser produtiva...
Começar os dias com uma corrida pela mata de Monsanto, mesmo ao lado de casa, a compensar a última semana em que não restou tempo para quase nada e a afastar todas as ansiedades acumuladas.
Passar um dia inteiro a deambular por Lisboa. A subir e a descer colinas. A evitar a todo o custo a confusão do futebol. A descobrir um tasquinho ali, um concerto de jazz acolá, uma ginginha, um miradouro, uma ruela, um gelado, umas escadinhas, um cheiro a especiarias, um banco para descansar.
Nós os três. Sem planos, sem pressas e sem 'nãos'. Tirar fotografias, fazer planos, fazer jogos de 'e se...?'. Sonhar.
Domingo entre amigos num almoço demorado como todos os almoços de domingo devem ser. Fazer aviões de papel e concursos para ver qual chegava mais longe desde a janela do 9º andar.
Regressar a casa e agradecer por esta semana, tão nossa e tão boa.



Planificar






Depois de umas semanas sem mãos a medir A Rainha volta ao 'activo' e as encomendas continuam a cair sem parar (tão bom! Obrigada Obrigada Obrigada!)

Relatórios de avaliação da formação para entregar, encomendas para embalar e enviar, outras ainda por começar e o tempo a começar a ser cronometrado para a nossa próxima grande viagem, logo no início do mês.

Aquele nervoso miudinho típico quando se tem listas de coisas para fazer a pairar pelo pensamento a todo o instante. Primeira coisa a fazer - ir comprar um caderno bonito para tirar as listas da cabeça e 'prendê-las' ao papel. Planificar e perceber que com uma boa organização há tempo para tudo.

Fechar a semana e ir para casa fazer mochilas e metermos-nos no comboio para Lisboa, para irmos ver o pai  receber um prémio por um trabalho feito o ano passado (orgulho, muito!). Planos para passar dois dias entre amigos e passeios a velocidade de cruzeiro. Aproveitar uma cidade onde já não voltava há algum tempo e a que agora, assim de rompante, voltamos duas vezes no mesmo mês.

Daqui a duas semanas rumamos novamente a Lisboa, dessa vez de mochilas grandes às costas, prontos para apanhar um avião e voar para o outro lado do mundo...





Certezas







Sabemos que é amor quando alguém sai de casa com chuva para nos ir comprar uma garrafa de vinho tinto para um brinde tardio num dia em que saímos do trabalho e nos espera um serão a terminar e embalar encomendas...