Bali



Tanto tempo afastada daqui...
Há alturas em que é preciso apenas saborear o que está a acontecer.

Há um mês, festejávamos o aniversário de um amigo brasileiro em Bali. Comíamos sushi maravilhoso, bebíamos cerveja na happy hour, dancávamos em festas cheias de gente bonita, descobríamos bares e restaurantes que adorava ter cá. Mergulhávamos naquelas ondas gigantes e ficávamos a ondular, rendidos à temperatura do mar. Fazíamos sestas por termos acordado tão cedo para surfar ou fazer yoga. Bebíamos sumos de fruta a toda a hora e andávamos de mota por ruelas entre os arrozais.

Foi esta a viagem que veio mudar o rumo a este ano e veio trazer as energias boas que andávamos há tanto a precisar.





Laços




Sim, sou como as crianças e o meu aniversário é um dia que me deixa em pulgas.
Acho que me consigo entusiasmar com todas as datas que se possam transformar em rituais e que sejam pretextos para reunirmos aqueles de quem gostamos à nossa volta.
Faço anos precisamente a meio do ano e este ano, quando nos sentámos à mesa que já não chegou para todos, relembramos que fazia exactamente 6 meses desde que tínhamos estado ali, à volta da mesma mesa, para festejar o início de 2014.
Talvez por esta 'matemática', este é sempre um momento para balanço. Vale sempre a pena rever as resoluções do ano e ver como andam as coisas.

Ficar em silêncio por uns momentos e observar apenas quem está à minha volta. Sentir a nossa casa cheia e aceitar que sim, que ela tem mesmo uma energia boa, que faz as pessoas virem e ficarem. Sentir-me abençoada por todas as coisas que têm acontecido e por ter pessoas tão boas à minha volta. Por os conhecer a todos, por dentro. E por sabermos que podemos contar uns com os outros. Que o mundo pode ser cruel lá fora, mas que os laços que criamos entre nós serão sempre uma rocha. Algo que nos conta quem somos mesmo nos momentos mais perdidos. Que reconforta quando há feridas a sarar. Que lança foguetes quando há motivos para festejar. Que vira frontalidade quando há verdades a ser ditas.

Ter orgulho por ver reunidas pessoas com quem partilho a vida desde os 3 anos, outras 4, outras desde os 12... 16... Tanto de nós nas memórias. Tanto de nós vivo ainda hoje porque existimos juntos.

Ter orgulho por sermos verdade. Por não haver máscaras. Por não haver reservas quando o assunto é falar do que nos vai na alma e no coração. Por nos cuidarmos uns aos outros. Por a maior parte das vezes e sempre que é preciso, estarmos lá.

Amo-vos do fundo do coração e sei que o que sou hoje deve-se à(s) amizade(s) que fomos construindo.

Espero ver-nos a todos, bonitos e insuportáveis, daqui a muitos anos, a fazermos picnics no parque e a sermos nós!

  “I think if I've learned anything about friendship, it's to hang in, stay connected, fight for them, and let them fight for you. Don't walk away, don't be distracted, don't be too busy or tired, don't take them for granted. Friends are part of the glue that holds life and faith together. Powerful stuff.” 
― Jon Katz






A fábula do pirilampo e da serpente


Era uma vez uma serpente amargurada, que resolveu perseguir um pirilampo que só vivia para brilhar.

O pirilampo, tremendo de medo, tentava fugir o mais rápido que podia. Já a serpente, com sua expressão feroz, vivia somente para o perseguir e jamais pensava em desistir.

Fugiu um dia, fugiu outro e ao terceiro, já sem forças, o pirilampo finalmente parou e disse à serpente:

Será que te posso fazer três perguntas?
- Não costumo permitir isso, mas já que te vou comer, deixo que o faças.
- Pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não.
- Fiz-te algum mal?
- Não.
- Então porque é que me queres comer?
- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!


Aceitar que as serpentes existem e vão existir sempre. 
Cuidar do nosso reino como a um jardim e continuar a fazer com que os valores em que acreditamos sejam os que valem.

Índia






A nossa primeira viagem grande. A primeira aventura de mochila às costas e bilhetes de avião na mão, sem grandes planos, desenhando o nosso percurso ao sabor do vento e das vontades...às vezes ao sabor dos sítios onde pudéssemos encontrar cerveja ou uma mota para alugar :)
Agora, uns meses depois, começamos a contagem decrescente para a nossa próxima aventura. Mas antes disso, saborear algumas recordações da nossa Índia.

(prometo para a próxima levar máquina fotográfica para não ficar apenas com registos fotográficos de pouca qualidade...)



Um dia vai ser assim



Acordar. Abrir todas as janelas da casa para deixar o sol entrar (os rapazes lá de casa preferem manter a casa na penumbra durante as primeiras horas da manhã, mas eu contrario-os sempre...). Tomar um pequeno almoço bom e bonito já sozinha, com tempo para planear a semana.
Sair de casa de bicicleta. Ir entregar encomendas e descer com o vento na cara até à Baixa, até ao sítio onde um dia vou deixar de trabalhar porque vou ter um sítio assim.




imagem Pintrest 

Lisboa




Um fim-de-semana em cheio. Com tempo para fazer tudo devagar.
Apanhar o comboio na sexta ao final do dia e aproveitar ainda as horas da viagem para terminar o trabalho da semana. Há algo nos comboios que me faz ser produtiva...
Começar os dias com uma corrida pela mata de Monsanto, mesmo ao lado de casa, a compensar a última semana em que não restou tempo para quase nada e a afastar todas as ansiedades acumuladas.
Passar um dia inteiro a deambular por Lisboa. A subir e a descer colinas. A evitar a todo o custo a confusão do futebol. A descobrir um tasquinho ali, um concerto de jazz acolá, uma ginginha, um miradouro, uma ruela, um gelado, umas escadinhas, um cheiro a especiarias, um banco para descansar.
Nós os três. Sem planos, sem pressas e sem 'nãos'. Tirar fotografias, fazer planos, fazer jogos de 'e se...?'. Sonhar.
Domingo entre amigos num almoço demorado como todos os almoços de domingo devem ser. Fazer aviões de papel e concursos para ver qual chegava mais longe desde a janela do 9º andar.
Regressar a casa e agradecer por esta semana, tão nossa e tão boa.