Respirar fundo!




E por agora acabou! Conciliar um trabalho que cada vez me leva mais horas, dar formação e tentar ainda ter tempo para mim, para as minhas pessoas preferidas e ainda para não deixar as encomendas d'A Rainha das Cores com esperas intermináveis foi obra... Muito trabalho, pouco tempo para dormir, poucos momentos a que chamar 'fim-de-semana' e muitos momentos de preocupação miudinha, daquela que parece que não vai embora quando não deixamos de ter listas de coisas por fazer.
Hoje acordei quase de madrugada e terminei a última sessão de formação com um grupo de mulheres. Disse-lhes, o grupo mais envolvido e mais motivado que alguma vez tive. Nos momentos de despedida trocam-se sempre obrigadas pelas partilhas, pelas aprendizagens, pela forma como as vidas se partilham e se enriquecem umas com as outras. Desta vez não é uma despedida 'até um dia'. Em setembro voltarei a esta turma, para as apanhar quase no final do curso que esperam trazer-lhes novas ferramentas e maiores horizontes.

Aqui é altura de respirar fundo e deixar uma das responsabilidades para trás. Deixar de encarnar o coelho da Alice no País das Maravilhas por uns tempos.

Começar tudo isso da melhor forma. Daqui a umas horas, um picnic com amigos e com o Porto e o pôr do sol como pano de fundo.

Depois, voltar a pôr tudo em dia n'A Rainha das Cores. Continuar a dar sentido ao que foi feito até aqui. Dar resposta a todas as encomendas (obrigada!)

E depois... começar a preparar a nossa viagem deste ano, que está quase quase aí...



Maio









Desejar voltar novamente aquele sítio com um azul sem fim.
Contigo.





O meu por ti, Ti! :)

É tramado quando são outras pessoas a escrever o que gostaríamos de ter dito. Tão bonito este texto, tão verdadeiro.

Tão bonito este blog, meu ponto de encontro todas as manhãs, no ritual que cumpro sempre ao  chegar ao trabalho - eu, uma chávena de café e os meus blogs preferidos. Depois de me contagiar de coisas boas e bonitas os dias correm sempre melhor. 

Este post é sobre amor*

Nem sempre a vida é um mar de rosas e o Amor a maior sintonia do mundo. Ainda que a premissa que nos juntou e nos mantém cúmplices e firmes neste amor que sentimos um pelo outro se mantenha, ainda que ame e adore esta pessoa que a vida me deu, de uma forma muito intensa, muito apaixonada e muito fascinada, há dias em que não bate tudo certo. Não me consigo imaginar a ser (simplesmente ser) sem este amor cúmplice. E digo muitas vezes que antes de o conhecer eu lá sabia o que era o amor. De verdade.
Sendo certa esta premissa é também certo que nem todos os dias são cor-de-rosa. Não são e não são mesmo, e está tudo bem quando não são. Porque há dias em que nos zangamos, há dias em que não nos apetece admitir que errámos, há dias em que o cansaço se sobrepõe à clareza de raciocínio, há dias em que os miúdos nos sufocam e tiram qualquer réstia de vontade de romance e há dias em que só apetece  mandar tudo à fava, fechar a concha e ficar por lá até a tempestade passar.
Normalmente não escrevo nesses dias e sobre esses dias. Não me apetece. Raramente me apetece escrever sobre coisas tristes ou chatas, dias parvos, amuos e birras. Escrevo depois, quando escrevo. E quando já demos tempo, espaço e ar.
Eu acredito que no amor, como na vida, há dias em que é preciso dar tempo, espaço e ar. Um ao outro. Depois calar. Depois respirar. Depois pensar e depois, só depois, conversar. E renovar, e reinventar, e apaziguar. Não é por acaso que estes três verbos terminam em ar. É que eu acredito, mesmo, que o Amor para ser bom e forte e impermeável aos dias de chuva, tem de ser construído de muitos dias de ar. Puro.

* - o meu por ti

Wise words


"(...) Não é obviamente em câmara ardente que se segura um amor para sempre, mas duvido que seja com renovação de roupagem que nos fazemos vestir de felicidade. Precisamos de saber dar aos outros como se fosse a nós mesmos e interessar-nos por quem amamos como se fosse connosco. Porque só assim nos mantemos interessantes, precisos, parceiros, nossos. Porque essa é a característica patente nas relações que duram: nas relações familiares, quase sempre imortais.

Embora fundamental, este altruísmo para com quem amamos não chega. Precisamos de saber renovar, de aprender e dar de novo, de começar tudo como se fosse hoje a última vez. Como se fosse a primeira vez, num rastilho com cheiro a pecado até o aroma ser doce outra vez. Porque um amor sem altos e baixos é como um deserto: adormecemos na monotonia de uma paisagem sem cor."

Manhãs




Praticamente todos os dias, faça chuva ou sol, saímos de casa em direcção ao Parque. Deixo-o sempre escolher. Normalmente sai de casa, dá uns passos para a esquerda e pára para me assegurar que o estou a seguir. Está escolhido, é para lá que quer ir.
Todos os dias andamos pelo meio das árvores, cavamos buracos na terra, lançamos folhas pelo ar, encontramos outros cães quase sempre mais novos, que fazem o Óscar correr uns minutos até perceber que está em desvantagem quando o assunto é velocidade e distrai-se com qualquer outra coisa.
Paramos para beber água no bebedouro quase à entrada, vamos uns instantes ao canteiro com uma relva que não se pode calcar (?), até o segurança aparecer e nos dizer que aí não podemos estar. Também nos relembra que naquela parte temos que pôr trela, como se isso fosse preciso para alguma coisa...
Seguimos em passo já cansado para casa, passamos mesmo à porta da mercearia onde o sr. costuma pôr migalhas de pão às pombas e onde o Óscar tem sempre esperança de encontrar um pedacinho esquecido para ele.
Vamos conversando pelo caminho, sob alguns olhares admirados que não percebem estas coisas mágicas que se dão entre quem se gosta muito.
Guardo os dias passados com o Óscar como diamantes e os meus olhos brilham quando alguém na rua me diz "tive um que durou até aos 19!".

E quando me sento com ele e o encho de festas até o pôr a 'ronronar', estou-lhe a agradecer as lições que ele me dá, todos os dias!

Abril

Abril foi o mês em que 'família' tomou outro significado. Foi o mês em que percebemos o que nunca perderíamos tempo sequer a pensar, de tão certa e sólida parecia a palavra. família. Afinal não era. Ou era, já nem sei. Virou-se a palavra de pernas para o ar. Trocou-se as letras. Misturou-se tudo. Procuraram-se novas combinações que fizessem sentido. fimalia-faliama-famiala-lamifia. Descobriram-se algumas coisas novas, fortaleceram-se laços que tinham adormecido, criaram-se outros novos. Revisitaram-se os ditados que dizem que só se dá valor ao que não se tem. Deixaram-se cair lágrimas e tentaram-se truques de circo para que doesse menos a quem gostamos. Apagaram-se fogos e aprendeu-se a viver assim. Com menos um, que não morreu mas decidiu que queria continuar mas fora. Dentro de algumas letras da palavra, fora de outras. O corpo ajustou-se à crise, claro está. Se ninguém morreu e se há tanta gente que passa por pior e se 'a vida tem que andar para a frente' (seja lá o que isso for), como não havia de se ajustar? O coração, esse, arrepende-se de não ter estado mais perto. De não ter encontrado formas de dizer 'gosto muito de ti'. Sem ser preciso mostrar, sabes? Dizer mesmo, com a boca. O coração também se vai ajustando e crescendo e aprendendo e percebendo as lições. Molda-se e cresce o tamanho preciso para poderes voltar, se quiseres. 
Abril foi o mês em que a bomba caiu. E aconteceram tantas coisas para além disso e tão boas. Mas será sempre o mês em que 'família' caiu e se partiu em pedaços como uma caixa de porcelana fina. 
Estamos ainda a tentar juntá-los.









É-me tão difícil escrever Abril que ficou tudo em branco.