Wise words


"(...) Não é obviamente em câmara ardente que se segura um amor para sempre, mas duvido que seja com renovação de roupagem que nos fazemos vestir de felicidade. Precisamos de saber dar aos outros como se fosse a nós mesmos e interessar-nos por quem amamos como se fosse connosco. Porque só assim nos mantemos interessantes, precisos, parceiros, nossos. Porque essa é a característica patente nas relações que duram: nas relações familiares, quase sempre imortais.

Embora fundamental, este altruísmo para com quem amamos não chega. Precisamos de saber renovar, de aprender e dar de novo, de começar tudo como se fosse hoje a última vez. Como se fosse a primeira vez, num rastilho com cheiro a pecado até o aroma ser doce outra vez. Porque um amor sem altos e baixos é como um deserto: adormecemos na monotonia de uma paisagem sem cor."

Manhãs




Praticamente todos os dias, faça chuva ou sol, saímos de casa em direcção ao Parque. Deixo-o sempre escolher. Normalmente sai de casa, dá uns passos para a esquerda e pára para me assegurar que o estou a seguir. Está escolhido, é para lá que quer ir.
Todos os dias andamos pelo meio das árvores, cavamos buracos na terra, lançamos folhas pelo ar, encontramos outros cães quase sempre mais novos, que fazem o Óscar correr uns minutos até perceber que está em desvantagem quando o assunto é velocidade e distrai-se com qualquer outra coisa.
Paramos para beber água no bebedouro quase à entrada, vamos uns instantes ao canteiro com uma relva que não se pode calcar (?), até o segurança aparecer e nos dizer que aí não podemos estar. Também nos relembra que naquela parte temos que pôr trela, como se isso fosse preciso para alguma coisa...
Seguimos em passo já cansado para casa, passamos mesmo à porta da mercearia onde o sr. costuma pôr migalhas de pão às pombas e onde o Óscar tem sempre esperança de encontrar um pedacinho esquecido para ele.
Vamos conversando pelo caminho, sob alguns olhares admirados que não percebem estas coisas mágicas que se dão entre quem se gosta muito.
Guardo os dias passados com o Óscar como diamantes e os meus olhos brilham quando alguém na rua me diz "tive um que durou até aos 19!".

E quando me sento com ele e o encho de festas até o pôr a 'ronronar', estou-lhe a agradecer as lições que ele me dá, todos os dias!

Abril

Abril foi o mês em que 'família' tomou outro significado. Foi o mês em que percebemos o que nunca perderíamos tempo sequer a pensar, de tão certa e sólida parecia a palavra. família. Afinal não era. Ou era, já nem sei. Virou-se a palavra de pernas para o ar. Trocou-se as letras. Misturou-se tudo. Procuraram-se novas combinações que fizessem sentido. fimalia-faliama-famiala-lamifia. Descobriram-se algumas coisas novas, fortaleceram-se laços que tinham adormecido, criaram-se outros novos. Revisitaram-se os ditados que dizem que só se dá valor ao que não se tem. Deixaram-se cair lágrimas e tentaram-se truques de circo para que doesse menos a quem gostamos. Apagaram-se fogos e aprendeu-se a viver assim. Com menos um, que não morreu mas decidiu que queria continuar mas fora. Dentro de algumas letras da palavra, fora de outras. O corpo ajustou-se à crise, claro está. Se ninguém morreu e se há tanta gente que passa por pior e se 'a vida tem que andar para a frente' (seja lá o que isso for), como não havia de se ajustar? O coração, esse, arrepende-se de não ter estado mais perto. De não ter encontrado formas de dizer 'gosto muito de ti'. Sem ser preciso mostrar, sabes? Dizer mesmo, com a boca. O coração também se vai ajustando e crescendo e aprendendo e percebendo as lições. Molda-se e cresce o tamanho preciso para poderes voltar, se quiseres. 
Abril foi o mês em que a bomba caiu. E aconteceram tantas coisas para além disso e tão boas. Mas será sempre o mês em que 'família' caiu e se partiu em pedaços como uma caixa de porcelana fina. 
Estamos ainda a tentar juntá-los.









É-me tão difícil escrever Abril que ficou tudo em branco.





Voltar ao lugar onde somos felizes



Tempo para os primeiros fins-de-semana na Costa Nova, onde não voltávamos desde que o frio do ano passado nos afastou. Para os primeiros mergulhos do ano no mar ainda frio. Os primeiros passeios na praia. Os primeiros churrascos. As primeiras caipirinhas feitas em copos gigantes. As idas ao mercado que dá vontade de comprar tudo - peixe, hortaliças, camarões, caranguejos. 
Convidar amigos e partilhar tudo isto com eles. Outros fins de semana partirmos sozinhos, os 4, e darmo-nos à familiaridade das coisas simples.
Ver o Oscar a correr como se fosse novo. A atirar-se ao mar. A cheirar o vento como se sentisse saudades dele. A regressar a casa num passo já cansado e a fazer sestas com roncos melódicos para recuperar a tempo do passeio seguinte.
E nós, a imitá-lo.
Regressar ao Porto com vontade de mais, mas preenchidos de coisas boas e bonitas. 

Madrinhas são mães do coração







Corações, ovos coloridos e muitos motivos para estar em família.
Uma boa Páscoa para todos!

O menino sonhador*






*e as encomendas que não páram de chegar. Obrigada!