Balanços

E 'assim' passou um ano!

Não há pesos nem medidas para estas coisas, mas ainda assim, não tenho dúvidas que este ano foi um dos mais quentes e mais felizes que já tive.

Foi o ano em que descobri o verdadeiro significado do amor. Bom, grande, aconchegante. Que me faz crescer, ser mais, querer mais. Que me faz cuidar com um sorriso. Que me faz experimentar outras responsabilidades que não conhecida e que são um desafio constante e aliciante. Que me fez descobrir o que é ter uma familia. Que me faz aceitar-me como sou e descobrir coisas em mim que nunca havia valorizado. Que me faz desejar crescer com alguém ao meu lado até sermos velhinhos. Que me dá forças para todos os dias lutar e cuidar de nós como a um jardim.

Um ano em que houve muito amor também à nossa volta. Com muitos amigos até aí em caminhos solitários a encontrarem pessoas que lhes enchem o coração. Um ano de muitos brindes, muitos risos e muitas celebrações  ao amor. De menos noites a dançar até às tantas mas ainda assim de muitas noites bem aproveitadas, com muitas gargalhadas e pézinhos de dança a merecerem taças.

Um ano de muito trabalho. Precário, sim. Instável e longe do ideal. Um ano de arregaçar as mangas e não me deixar ficar. Ao longo deste ano fui administrativa, formadora, contabilista, aderecista, empregada de mesa, produtora, psicóloga, hostess, comercial... Um ano com alguns dias a trabalhar de sol a sol. Um ano em que muitas vezes me perguntei qual o sentido para isto. Um ano em que tive a coragem de acreditar num projecto meu, de pôr as mãos à obra e de concretizar uma ideia (sem esquecer nunca a ajuda fundamental da pessoa que tenho ao meu lado, que acreditou desde o início...). A Rainha das Cores é hoje algo palpável. Ainda em ponto pequeno mas com muitas ideias, muito querer e muita ambição. E que terá muito para percorrer em 2014.

De muitas viagens e passeios. Desde as viagens de uma vida aos passeios matinais no parque, houve de tudo. Costa Nova, Barcelona, Cadaqués, Mindelo, Baião, Vila Verde, Peniche, Berlengas, Alentejo, Algarve, Paredes de Coura, Índia, Douro... Tudo sítios de onde retiramos o melhor e de onde voltamos mais ricos.

Um ano de verão celebrado ao máximo. Desde os primeiros mergulhos em Abril, naquele fim-de-semana ainda frio em Mindelo, às surfadas na Costa Nova, às piscinas, aos churrascos e sardinhadas. Às caipirinhas. À viagem de auto-caravana por aí abaixo até ao Algarve. À Zambujeira, à Arrifana, ao Amado, a Salema, ao Zavial. Às praias no Alentejo que não conhecia e que foram nossas. Aos mergulhos do cimo de árvores para os rios. À festa de despedida do Verão com direito a grelhador acesso e balões no terraço.

Um ano em que tornei a corrida no desporto nº1. Corri um pouco por todo o lado e em todas as circunstâncias. E consegui alcançar o objectivo da meia maratona. O treino para esta prova e a prova em si revelaram muitas características que nunca tinha percebido. Comprovaram a força que tenho mas também uma energia negativa vinda não sei de onde que me faz sabotar-me a mim própria em alguns momentos. Este objectivo fez-me lutar contra isso e aperceber-me das coisas que posso desperdiçar por não acreditar mais, por não ter mais foco. 

Foi o ano em que voltei a comer francesinhas (já não comia há uns 10 anos...). Foi o ano em que mais cozinhei na vida.

O primeiro ano em que passei o Natal na minha casa. O primeiro ano em que não passei o dia 24 com os meus pais e o meu irmão. O ano em que tive a melhor passagem de ano até agora (sim, ontem!)

Um ano de mudanças. De casa nova. De transformações.

Foi o ano em que deixei de ser só eu e em que me sinto a ser melhor.

E em 2014?

Desejo que todas as 'nossas' pessoas continuem a fazer parte e festejem connosco todo o próximo ano. 
Que a 'saúde', que é o cliché, continue a estar presente nas nossas vidas e dos que nos rodeiam.
Que exista coragem, força e preserverança para nunca desistir e para criar e aproveitar oportunidades mesmo quando 'crise' é a palavra de ordem.
Que a nossa família continue a crescer.
Que tenhamos oportunidade de partilhar muitos momentos com aqueles de quem mais gostamos (costumo dizer que o mundo pode ser um sítio por vezes feio e injusto, resta-nos rodearmo-nos de pessoas bonitas e que valham a pena)
Que tenha que passear o Óscar ao sol, à chuva, às 7 ou à uma da manhã 365 dias do ano.
Que nos esperem outras tantas viagens, passeios e aventuras.
Que a Rainha das Cores não páre de crescer, de me surpreender e de me motivar a criar mais e mais.
Que existam muitos percursos para serem (per)corridos.
Que existam mais momentos fora da cidade, no campo, no mar, nas montanhas. De pés descalços.

Coisinhas 'pequeninas' a pendurar na porta do frigorífico, para começar já e relembrar todos os dias:
- Dormir mais!
- Ser um bocadinho mais saudável (e isso engloba deixar de fumar...)
- Fotografar mais
- Fazer coisas com as próprias mãos - tricotar, costurar, cozinhar, plantar
- Comprar uma bicicleta
- Ler mais
- Estar mais vezes com amigos que este ano vi tão pouco
- Aprender a parar e a descansar, sem pesos na consciência.

2014 é um caderno com 365 folhas em branco!

Vou preparar a caixinha de lápis de côr! 

:)



Para terminar da melhor forma...



Retalhos do último fim-de-semana do ano.

Natal



Este ano o Natal foi diferente. 
Foi o primeiro ano em que passei o dia 24 sem ser em casa dos meus pais, com a 'minha' parte da família.
E acabou por ser o primeiro ano em que fui eu a anfitriã.

Adoro o Natal, principalmente as semanas que o antecedem, quando há um espírito de 'vai acontecer'. Os últimos dias contudo, costumam ser uma correria, por mais que se tente que 'este ano não vai ser assim'. 

As encomendas para A Rainha das Cores foram muitas e a vontade de dar resposta a cada uma delas foi grande. 
De modo que não tive tempo sequer para correrias desenfreadas pelas lojas, mas sim para 'retiros' à volta de t-shirts, linhas e agulhas. Tanto que já cheirava a rabanadas e ainda se davam os últimos retoques nos embrulhos e se faziam as últimas entregas em mãos. 

Chegada a hora de jantar e de volta ao mundo da fantasia, juntamos todos os ajudantes à volta da mesa, com pratinhos de cenouras para as renas já na varanda e com o desejo de que na hora de abrir as prendas houvesse muitos sorrisos rasgados. Tanto por cá como em todas as casas por onde entraram as camisolas d'A A Rainha das Cores.

Espero que todos os que desembrulharam as t-shirts tenham gostado. O natal já passou, mas espero que a magia continue no ar! 

A Rainha das Cores



Andou na gaveta da vontade durante muito tempo, sem saltar cá para fora. E depois de repente, concretizou-se!
T-shirt's para crianças, com desenhos coloridos, divertidos, que desafiem o imaginário. Que fujam do menino azul - menina rosa. Onde há núvens que chovem corações, há gravatas que são sardinhas, onde há corações que saltam das camisolas e vão colar bem juntinho ao coração de quem mais gostamos.
Camisolas, linhas de bordar, agulhas, tecidos. E todo o meu tempo livre aproveitado a conta-gotas para as encomendas que foram caíndo. E que se multiplicaram no Natal (obrigada!). E muitas sessões de fotografias, por casa ou porta fora para registar o que ía sendo feito. Sessões que por vezes se tornaram em odisseias a muitas mãos e patas, num mundo que íamos inventando. (obrigada meu querido pela ajuda e pelas fotografias preciosas!)
Neste último mês não respirei. O ânimo e a vontade eram imensos e dizem que quem corre por gosto não cansa. 'Estivemos' à venda em mercadinhos e em lojas e preparamos encomendas um pouco para todo o lado e para crianças de todas as idades!
Digo estivemos porque isto não sou só eu, são a todos vocês que me ajudam, com que troco ideias, que me fazem encomendas, que divulgam o que vou fazendo, que lançam elogios sinceros que me fazem acreditar que isto pode ser especial.
Há uma semana, o pirralho lá de casa perguntava "és tu a rainha das cores? aaaah, sabes que és muito conhecida?".
:)
Espero continuar a ser, mais e mais, porque isso significa que terei a oportunidade de trabalhar com amor por aquilo que faço e que muitas pessoas terão vestidas camisolas cheias de cores e pozinhos perlimpimpins!

O link para vendas, por enquanto, está aqui: A Rainha das Cores

Aberta a época de balanços

O tempo a voar a voar a voar...

Chega a este último mês e com ele os balanços - o que foi desejado, o que foi conseguido, os desejos que se renovam, os que nascem, os que se intensificam.

Para mim, este ano só começou na Primavera. Três meses ficaram para trás, portanto. E ainda assim, foi tão cheio, tão bom, tão estruturante, que quando me vejo lá atrás, em Dezembro de 2012, sei que aquela, mesmo sendo, não era Eu.

Faltam menos de 20 dias. E por mim, transformava este final de ano numa festa contínua. Numa celebração. Num thanksgiving (ateu claro está) a todas as coisas boas que temos conseguido criar e receber. E à força que às vezes vem sei lá de onde para ultrapassar as contrariedades.

Todos os dias, até ao final do ano, um respirar, um reviver.

Fingers crossed



http://www.tumblr.com



Aceitar uma realidade má para não viver numa pior.






[até lá, pensar em bolhas de ar retemperadoras. planear uma próxima viagem. acreditar que explorar novas hipóteses abre novos caminhos e novas oportunidades. planear reuniões secretas às 4as à noite e abanar as pessoas até acreditarem que têm nas suas mãos, juntas, a capacidade para mudarem a realidade social, ter dinheiro para comprar vinho um bocadinho melhor]



Desabafos

Novidades e propostas desafiantes pela frente. Que nos fazem sorrir e piscar o olho - "afinal ainda acontecem coisas, mesmo quando querem oferecer-nos o quadro de medo e de crise". E depois, ao mesmo tempo, fazer contas à vida e perguntar se isto é isso... vida.

Trabalhar como um robot e andar sempre a correr. Não ter tempo para respirar.
Sentir que este país está virado do avesso, a fazer tudo mal. E mais assustador do que isso, que as pessoas parecem obedecer sem questionar muito. 

E continam a parecer valorizar o menos importante.

A formatação parece estar a ser bem sucedida. Continua a ser transmitida a mensagem de que precisamos de algo que não temos. Precisamos do casaco novo porque o outro já não está nas revistas deste ano e por isso é 'velho'. Precisamos daquela máquina top que faz comida sem termos que cozinhar - ficamos livres também do cheiro bom espalhado pela casa, do provar com a colher de pau e de acrescentar o que nos apetece com a minúcia de um feiticeiro... Precisamos de televisões cada vez maiores e com sistemas de som mais refinados, para vermos melhor as manchetes deprimentes e non sense que todos os dias passam pelos telejornais. E precisamos de mais canais, para demorarmos mais tempo nos zappings até voltar ao mesmo e concluir que não está a dar nada de jeito. Precisamos de um carro novo. E precisamos de uma bicicleta porque é desta que vamos ser saudáveis... mas ainda não a experimentamos porque também precisamos das luvas e do capacete e ainda não conseguimos arranjar tempo para ir comprá-los. Precisamos de começar a fazer yoga, para escapar deste stress todo. E precisamos de comprar velas e incenso e um tapete e umas calças próprias. Mas entretanto temos que fazer horas extra porque estamos a ficar sem dinheiro. 

Trabalhamos como mouros, seja lá o que isso quer dizer. Mas como são tantas horas e andamos tão frustrados com os patrões, metade do tempo passamos no facebook (ou a escrever em blogs) ou a dar água sem caneco. 

E ao final do dia vamos correr a correr, para termos aquele corpo de sonho que fica bem nas roupas que aparecem nas revistas. E como a satisfação não chega, há ainda espaço para as massagens modeladoras e todos os tratamentos invasivos e abrasivos que prometem o que é contra natura - acabar com a celulite, com as estrias, com as rugas, com os pêlos.

Enquanto continuarmos a consumir, tudo está bem. Consomem todos, os que têm muito e os que têm muito pouco, porque o mercado é atento e 'solidário' com quem não tem para gastar. E ajuda! - produz ainda mais 'quinquilhada' que ninguém precisa mas que é ao preço da chuva, faz promoções, oferece outro pelo mesmo preço, dá cartões de desconto.

E vamos andando entretidos ou adormecidos entre um desejo e o outro. Ou a máquina fotográfica nova (que só vamos usar duas vezes nas férias porque fora disso não temos tempo para fazer coisas dignas de fotografias), ou a viagem com pulseirinha não sei onde, ou  a Playstation para o nosso filhote, coitadinho, que pede o que já todos os amigos têm. 

E entre a motivação para alcançar o objecto seguinte e a angústia porque afinal conseguimos e isso afinal não veio mudar nada, não perdemos tempo a reflectir sobre o que seria realmente significativo - podermos dar ao nosso bairro, cidade, país, as coisas em que realmente somos bons e ver o meio à nossa volta a melhorar com a nossa energia. Podermos ter filhos e sermos protegidos por isso. Podermos dar-lhes a rua, os parques, as praças. Podermos trabalhar com prazer e com dignidade. Podermos acreditar que o que uma comunidade quer, é suficiente para discutir e quem sabe mudar a forma como se governa. Podermos ter férias. Podermos andar a pé ou de transportes públicos para nos deslocarmos de um lado para o outro. Podermos ter pessoas à nossa volta com quem podemos celebrar e festejar a vida, sem parecer uma reunião de dramas e dificuldades curadas com alguns copos a mais. Podermos ir passar fins-de-semana à neve ou à praia ou ao campo. Podermos fazer mais coisas com as nossas próprias mãos. Poder ter tempo para a nossa família, para os nossos pais, irmãos, para o cão, para os filhos, para o amor, para os amigos.

Tempo para descobrir o que realmente interessa.