Retalhos do último fim-de-semana do ano.
Natal
Este ano o Natal foi diferente.
Foi o primeiro ano em que passei o dia 24 sem ser em casa dos meus pais, com a 'minha' parte da família.
E acabou por ser o primeiro ano em que fui eu a anfitriã.
Adoro o Natal, principalmente as semanas que o antecedem, quando há um espírito de 'vai acontecer'. Os últimos dias contudo, costumam ser uma correria, por mais que se tente que 'este ano não vai ser assim'.
As encomendas para A Rainha das Cores foram muitas e a vontade de dar resposta a cada uma delas foi grande.
De modo que não tive tempo sequer para correrias desenfreadas pelas lojas, mas sim para 'retiros' à volta de t-shirts, linhas e agulhas. Tanto que já cheirava a rabanadas e ainda se davam os últimos retoques nos embrulhos e se faziam as últimas entregas em mãos.
Chegada a hora de jantar e de volta ao mundo da fantasia, juntamos todos os ajudantes à volta da mesa, com pratinhos de cenouras para as renas já na varanda e com o desejo de que na hora de abrir as prendas houvesse muitos sorrisos rasgados. Tanto por cá como em todas as casas por onde entraram as camisolas d'A A Rainha das Cores.
Espero que todos os que desembrulharam as t-shirts tenham gostado. O natal já passou, mas espero que a magia continue no ar!
A Rainha das Cores
Andou na gaveta da vontade durante muito tempo, sem saltar cá para fora. E depois de repente, concretizou-se!
T-shirt's para crianças, com desenhos coloridos, divertidos, que desafiem o imaginário. Que fujam do menino azul - menina rosa. Onde há núvens que chovem corações, há gravatas que são sardinhas, onde há corações que saltam das camisolas e vão colar bem juntinho ao coração de quem mais gostamos.
Camisolas, linhas de bordar, agulhas, tecidos. E todo o meu tempo livre aproveitado a conta-gotas para as encomendas que foram caíndo. E que se multiplicaram no Natal (obrigada!). E muitas sessões de fotografias, por casa ou porta fora para registar o que ía sendo feito. Sessões que por vezes se tornaram em odisseias a muitas mãos e patas, num mundo que íamos inventando. (obrigada meu querido pela ajuda e pelas fotografias preciosas!)
Neste último mês não respirei. O ânimo e a vontade eram imensos e dizem que quem corre por gosto não cansa. 'Estivemos' à venda em mercadinhos e em lojas e preparamos encomendas um pouco para todo o lado e para crianças de todas as idades!
Digo estivemos porque isto não sou só eu, são a todos vocês que me ajudam, com que troco ideias, que me fazem encomendas, que divulgam o que vou fazendo, que lançam elogios sinceros que me fazem acreditar que isto pode ser especial.
Há uma semana, o pirralho lá de casa perguntava "és tu a rainha das cores? aaaah, sabes que és muito conhecida?".
:)
Espero continuar a ser, mais e mais, porque isso significa que terei a oportunidade de trabalhar com amor por aquilo que faço e que muitas pessoas terão vestidas camisolas cheias de cores e pozinhos perlimpimpins!
O link para vendas, por enquanto, está aqui: A Rainha das Cores
Aberta a época de balanços
O tempo a voar a voar a voar...
Chega a este último mês e com ele os balanços - o que foi desejado, o que foi conseguido, os desejos que se renovam, os que nascem, os que se intensificam.
Para mim, este ano só começou na Primavera. Três meses ficaram para trás, portanto. E ainda assim, foi tão cheio, tão bom, tão estruturante, que quando me vejo lá atrás, em Dezembro de 2012, sei que aquela, mesmo sendo, não era Eu.
Faltam menos de 20 dias. E por mim, transformava este final de ano numa festa contínua. Numa celebração. Num thanksgiving (ateu claro está) a todas as coisas boas que temos conseguido criar e receber. E à força que às vezes vem sei lá de onde para ultrapassar as contrariedades.
Todos os dias, até ao final do ano, um respirar, um reviver.
Chega a este último mês e com ele os balanços - o que foi desejado, o que foi conseguido, os desejos que se renovam, os que nascem, os que se intensificam.
Para mim, este ano só começou na Primavera. Três meses ficaram para trás, portanto. E ainda assim, foi tão cheio, tão bom, tão estruturante, que quando me vejo lá atrás, em Dezembro de 2012, sei que aquela, mesmo sendo, não era Eu.
Faltam menos de 20 dias. E por mim, transformava este final de ano numa festa contínua. Numa celebração. Num thanksgiving (ateu claro está) a todas as coisas boas que temos conseguido criar e receber. E à força que às vezes vem sei lá de onde para ultrapassar as contrariedades.
Todos os dias, até ao final do ano, um respirar, um reviver.
Fingers crossed
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Aceitar uma realidade má para não viver numa pior.
[até lá, pensar em bolhas de ar retemperadoras. planear uma próxima viagem. acreditar que explorar novas hipóteses abre novos caminhos e novas oportunidades. planear reuniões secretas às 4as à noite e abanar as pessoas até acreditarem que têm nas suas mãos, juntas, a capacidade para mudarem a realidade social, ter dinheiro para comprar vinho um bocadinho melhor]
Desabafos
Novidades e propostas desafiantes pela frente. Que nos fazem sorrir e piscar o olho - "afinal ainda acontecem coisas, mesmo quando querem oferecer-nos o quadro de medo e de crise". E depois, ao mesmo tempo, fazer contas à vida e perguntar se isto é isso... vida.
Trabalhar como um robot e andar sempre a correr. Não ter tempo para respirar.
Sentir que este país está virado do avesso, a fazer tudo mal. E mais assustador do que isso, que as pessoas parecem obedecer sem questionar muito.
E continam a parecer valorizar o menos importante.
A formatação parece estar a ser bem sucedida. Continua a ser transmitida a mensagem de que precisamos de algo que não temos. Precisamos do casaco novo porque o outro já não está nas revistas deste ano e por isso é 'velho'. Precisamos daquela máquina top que faz comida sem termos que cozinhar - ficamos livres também do cheiro bom espalhado pela casa, do provar com a colher de pau e de acrescentar o que nos apetece com a minúcia de um feiticeiro... Precisamos de televisões cada vez maiores e com sistemas de som mais refinados, para vermos melhor as manchetes deprimentes e non sense que todos os dias passam pelos telejornais. E precisamos de mais canais, para demorarmos mais tempo nos zappings até voltar ao mesmo e concluir que não está a dar nada de jeito. Precisamos de um carro novo. E precisamos de uma bicicleta porque é desta que vamos ser saudáveis... mas ainda não a experimentamos porque também precisamos das luvas e do capacete e ainda não conseguimos arranjar tempo para ir comprá-los. Precisamos de começar a fazer yoga, para escapar deste stress todo. E precisamos de comprar velas e incenso e um tapete e umas calças próprias. Mas entretanto temos que fazer horas extra porque estamos a ficar sem dinheiro.
Trabalhamos como mouros, seja lá o que isso quer dizer. Mas como são tantas horas e andamos tão frustrados com os patrões, metade do tempo passamos no facebook (ou a escrever em blogs) ou a dar água sem caneco.
E ao final do dia vamos correr a correr, para termos aquele corpo de sonho que fica bem nas roupas que aparecem nas revistas. E como a satisfação não chega, há ainda espaço para as massagens modeladoras e todos os tratamentos invasivos e abrasivos que prometem o que é contra natura - acabar com a celulite, com as estrias, com as rugas, com os pêlos.
Enquanto continuarmos a consumir, tudo está bem. Consomem todos, os que têm muito e os que têm muito pouco, porque o mercado é atento e 'solidário' com quem não tem para gastar. E ajuda! - produz ainda mais 'quinquilhada' que ninguém precisa mas que é ao preço da chuva, faz promoções, oferece outro pelo mesmo preço, dá cartões de desconto.
E vamos andando entretidos ou adormecidos entre um desejo e o outro. Ou a máquina fotográfica nova (que só vamos usar duas vezes nas férias porque fora disso não temos tempo para fazer coisas dignas de fotografias), ou a viagem com pulseirinha não sei onde, ou a Playstation para o nosso filhote, coitadinho, que pede o que já todos os amigos têm.
E entre a motivação para alcançar o objecto seguinte e a angústia porque afinal conseguimos e isso afinal não veio mudar nada, não perdemos tempo a reflectir sobre o que seria realmente significativo - podermos dar ao nosso bairro, cidade, país, as coisas em que realmente somos bons e ver o meio à nossa volta a melhorar com a nossa energia. Podermos ter filhos e sermos protegidos por isso. Podermos dar-lhes a rua, os parques, as praças. Podermos trabalhar com prazer e com dignidade. Podermos acreditar que o que uma comunidade quer, é suficiente para discutir e quem sabe mudar a forma como se governa. Podermos ter férias. Podermos andar a pé ou de transportes públicos para nos deslocarmos de um lado para o outro. Podermos ter pessoas à nossa volta com quem podemos celebrar e festejar a vida, sem parecer uma reunião de dramas e dificuldades curadas com alguns copos a mais. Podermos ir passar fins-de-semana à neve ou à praia ou ao campo. Podermos fazer mais coisas com as nossas próprias mãos. Poder ter tempo para a nossa família, para os nossos pais, irmãos, para o cão, para os filhos, para o amor, para os amigos.
Tempo para descobrir o que realmente interessa.
Bolhas falsas
Li este post ontem e o assunto veio-me ao pensamento por várias vezes.
Não é uma surpresa, as diferenças na postura dos pais/educadores é notória logo ao passar da fronteira. Mas é de enfatizar ainda mais quando vemos estas diferenças em países que vivem com frio, dias curtos, chuva, neve, e que não deixam por isso de viver a rua, como ela é - deles.
Entristece-me, envergonha-me, por tão deprimente que é, ver tantos shoppings cheios de pais e crianças ao fim-de-semana - o que esperam transmitir aos seus filhos? Intriga-me que o parque ao lado de nossa casa feche às 17h no Inverno e que imponha mais regras que um quartel militar. Surpreende-me que nos fechemos tanto dentro de portas e que nos queixemos do frio e da chuva, quando somos um dos países mais amenos e com mais sol da Europa.
Quanta infância estamos a limitar por manter as nossas crianças dentro de uma bolha artificial?
"as crianças que eu vejo.
está frio: 2 graus.
talvez seja o que os rodeia.
pais que não estão desempregados. pais que têm tempo.
pais que estão felizes. tranquilos. que os rodeiam de serenidade.
professores que podem ensinar. que não estão longe de casa. que brincam na rua. que os rodeiam de serenidade.
talvez sejam só os meus olhos.
o parque está cheio. as crianças brincam: no escorrega, nos baloiços, na areia húmida. enchem baldes com pás e fazem castelos. o parque está cheio: quando está sol. frio. quando chove. no dia em que nevou e havia gelo. o tempo pouco importa. os pais são descontraídos: deixam-nos explorar. andar à chuva. cair. aprender sozinhos. nunca vi um grito. uma palmada. uma repreensão. descontraídos: bebem cafés.
as crianças vestem fatos quentes e coloridos. vejo meninos que ainda estão a aprender a andar em cima de pequenas trotinetes: correm as ruas sem capacete. quando os mais pequeninos caem demoram para se levantar: parecem pequenas tartarugas. no parque não há meninas pequeninas de colares, nem laços grandes no cabelo. usam cachecóis, luvas, gorros. nunca vi uma menina de vestido. no parque usam fatos que se limpam com um pano. fatos que chegam a casa cheios de lama: fatos para sujar. quando estou sentada a ver os meninos brincar vejo: crianças a serem crianças. as meninas não parecem senhoras pequeninas. os meninos saltam em cima de montes de folhas amarelas. secas. vejo meninos com mais roupa, com menos liberdade para correr, saltar: e parecem mais soltos. serenos. felizes. não sei: não sei porque é que aqui as crianças parecem mais felizes.
mas vejo.talvez seja o que os rodeia.
pais que não estão desempregados. pais que têm tempo.
pais que estão felizes. tranquilos. que os rodeiam de serenidade.
professores que podem ensinar. que não estão longe de casa. que brincam na rua. que os rodeiam de serenidade.
talvez sejam só os meus olhos.
mas aqui vejo: crianças mais sujas e mais felizes"
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