Retalhos do fim de semana












Resumir este fim de semana é fácil - riscar todas as tarefas da lista e render-me aos últimos mergulhos, pés cheios de areia e pele a dourar. Muitos brindes com amigos, muitos amigos, que por muitas circunstâncias nem sempre podem estar, mas que este fim de semana teve o poder de juntar.

Acabou o Verão. Parece que passou a correr, mas bem vistas as coisas, este foram meses em cheio, recheados de coisas boas... Queremos muitos mais assim.


Weekend plans

Pintrest


1 - Aproveitar o sol e o mar

(que bom o Verão a querer despedir-se assim... pode ser que o Outono resolva mostrar-lhe que também é capaz de dias com muito sol!)


2 - Fazer puzzles com armários e tentar que não reste um único caixote de coisas por arrumar. 


3 - Decidir-me por uma destas receitas para dar uso ao caixote de figos que vieram da aldeia. 

4 - Terminar as prendas para o Afonso e o Francisco.  


5 - Celebrar com a casa cheia de amigos. À despedida do verão, às saudades, às metas alcançadas, aos novos planos! Celebrar muito e com muitos sorrisos!



Unconditional true










Travel is the only thing you buy that makes you richer.






Priceless#1









Responder a todas as perguntas sérias e interessadas acerca de cozinhados e receitas vindas de um puto reguila de 6 anos.












Cão como nós



Primeiro é preciso dizer que eu nunca gostei de cães. Que já cheguei a ser mordida. Que inúmeras vezes me esforcei para que o meu corpo não deixasse transparecer o medo que sentia quando algum cão decidia rondar, ou pior, saltar e ladrar perto de mim. Dar festas a um cão era algo que fazia como quem sacode migalhas e só quando tinha mesmo de ser, muitas vezes na esperança que, cumprida a missão, eles fossem embora.

E depois veio o Óscar. E fui descobrindo que ele não é um cão. Ou que é, como nós. E digo, em jeito de 'mãe', que o Óscar é o labrador e o cão mais bonito do mundo.

[Nunca como então eu senti o cão tão perto de nós. Sem propriamente ter mudado de feitio, ele estava por assim dizer mais atencioso, seguia-nos pela casa toda, estava, como nós, à espera, como nós, digo bem, como se fosse um de nós. E tenho de reconhecer que era. Um grande chato, sim, um cão rebelde, caprichoso, desobediente, mas um de nós, o nosso cão, ou mais que o nosso cão, um cão que não queria ser cão e era cão como nós"]

Já o conheci tarde. Com doze anos. E apesar de tanta gente dizer que não parece nada, por ter tão bom ar e tanta energia, sabemos todos que a idade não perdoa e vai mostrando alguns sinais.

Ainda há uns tempos, acordou a mancar e ficamos todos num pânico triste, a dizer que ía passar, mas com medo que assim não fosse e que fosse um princípio do fim.

[Alguém falou da tristeza e do vazio do olhar dos animais. Vi tristeza, em certos momentos, no olhar do cão. A tristeza de quem quer chegar à palavra e não consegue. Mas não vi o vazio. O vazio está talvez nos nossos olhos. Quando por vezes nos perdemos dentro de nós mesmos. Ou quando buscamos um sentido e não achamos. O cão sabia o sentido, o seu sentido. E nunca se perdia.]

Já o conheci tarde. Não o vi nos festivais nem a nadar pelo mar adentro. Nem a puxar ninguém de patins pela trela. Mas vi-o a conquistar-me aos bocadinhos, com a sua atenção, que passou a dividir-se. Com as manhas e os mimos de quem sente que eu ía ficando rendida e capaz de lhe fazer todas as vontades. "E qual é o problema? Com doze anos um cão já tem direito a ter algumas mordomias". Eu não cheguei para ensinar, isso ele já sabe!

[Cão é cão. Mas de certo modo fomos ficando mais próximos, diria até mais companheiros.

Ele vinha deitar-se ao pé de mim sempre que eu estava a ler, a escrever, ou simplesmente a ver televisão. E à hora da refeição foi junto à minha cadeira que ele passou a enroscar-se, cada vez com mais frequência.

Eu gostava. Comecei até a ter um certo orgulho nisso e a sentir uma íntima satisfação com os ciúmes que essa atitude do cão provocava nos restantes membros da família.]

Não sei se foi tarde... Se calhar é assim a melhor forma de se conhecer alguém. Quando temos presente, a todo o instante, que não vai ser eterno.

Todos os dias sinto o privilégio de poder passear com ele, às vezes até conseguimos ir dar um passeio por entre as árvores logo de manhã (e esses dias correm sempre de forma diferente). E quando não há trabalho, levo-o para todo o lado, pela trela ou no banco ao lado do condutor, janela aberta e focinho de fora com orelhas no ar.

[É quanto me chega. As minhas armas e eu. O meu cão e eu]

Este Verão quase não fomos à praia. Os ares do mar fazem o Óscar esquecer-se da idade e das boas maneiras. Desata a roer toalhas e a escavar buracos por todo o areal. Só pára quando vimos embora. Quando começou a mancar o médico disse logo que era proibitivo e mesmo depois de melhorar toda a gente achou melhor não arriscar. É que além disso, já ninguém tinha paciência para aturar aquele histerismo. Mas quando o levávamos, dava gosto de ver. O rabo a abanar ainda mais rápido e o focinho a tentar guardar pedaços daquele ar. 

[Dei então por mim a conversar com o cão, sempre que estávamos sós. Digo bem: conversar. Porque se ele não chegava, como pretendia, à enunciação, não tenho dúvidas de que compreendia a humana fala. Pelo menos a nossa.]

Era o que no outro dia dizia - "gostava de conversar com o Óscar, nem que fosse por cinco minutos". 

Ainda não descobri como. Até lá, aproveito-o, como quem aproveita os últimos dias de Verão.


Excertos do livro "Cão como nós", de Manuel Alegre, que li há pouco tempo, num ápice.

Simplicity Parenting



Fui dar ao livro através deste post, que me levou a este (li este blog quase de uma ponta à outra e fiz foward de vários posts estratégicos na altura de 'destralhar' a casa). 

A curiosidade foi muita e não resisti a comprá-lo - deixar escapar um livro que defende o que eu penso? Nem pensar!

Uns dias depois já estava na caixa do correio (assinalar que foi o primeiro envelope com o meu nome a chegar à nova morada!!!).

Uma das coisas que mais me angustia é a corrida desenfreada dos dias, a sensação que o tempo nunca chega, que há meses que passam sem darmos por ela (alguém acredita que o Verão já está a acabar?) e que são tão raros os momentos que passamos com quem gostamos sem termos horários a cumprir. 

Há cerca de cinco anos atrás tive, por motivos profissionais, que viver dois anos numa das cidades mais pequenas, mais frias e na minha opinião mais desinteressantes de Portugal. Conhecer pessoas nao foi fácil, ocupar todo o tempo livre era uma tarefa quase impossível para quem saía às 5 da tarde. A solução foi abrandar. Dar atenção às coisas para as quais quase nunca temos tempo. Ler muito. Ver centenas de filmes. Passear sem rumo. Inventar coisas novas para fazer. Fazer outras como se fosse um privilégio. 

Não vou mentir - não tenho saudades desses dois anos e não queria, por nada, voltar lá. Mas dessa calma, dessa sensação de relógio parado, disso... sinto falta. 

E se esta velocidade contínua, esta azáfama de tarefas, programas, actividades, nos 'stressa' a nós adultos, que impacto terá numa criança?

Digo muitas vezes, meio a sério meio a brincar, que quando tiver filhos vou criá-los no campo. Não é que desgoste da cidade ou de estar perto dos meus e do mar... mas bem que gostava de ter mais controlo sobre a força que o mundo lá fora e o relógio têm sobre as nossas vidas. 

Por tudo isto, o livro tem estado pousado pelas mesas lá de casa. Para ir lendo, para partilhar, para reflectir, absorver e quem sabe conseguir mudar algumas coisinhas, e ir passando a perna ao ritmo desenfreado que vem de lá de fora, e às vezes de dentro de nós. 

Voltarei, de certeza, comentar o que vou lendo, mas por agora deixo apenas duas citações: 

"Too much stuff leads to too little time and too little depth in the way kids see and explore their world."

"Relationships are often built in the intervals, the space between activities, when nothing much is going on."


Inner battles



In long-distance running the only opponent you have to beat is yourself, the way you used to be.”
Haruki MurakamiWhat I Talk About When I Talk About Running



Foi uma semana inteira sem um post, apesar de terem sido muitos os que me passaram pela mente. Uma semana de correrias, no verdadeiro sentido da palavra. De lutas internas e em que várias vezes me perguntei "porquê que estou a fazer isto?". Uma semana de contagem decrescente e de nervoso miudinho.
Uma semana em que percebi mais do que nunca a tendência para desacreditar e para sabotar os meus próprios objectivos.
E em que mais uma vez consegui superar-me, surpreender-me, perceber que consigo muito mais do que penso ser possível.
isto não foi uma corrida. Foi uma luta comigo própria. E consegui calar a parte de mim que achou que não era possível.


Correr uma meia maratona. Feito!