Inner battles



In long-distance running the only opponent you have to beat is yourself, the way you used to be.”
Haruki MurakamiWhat I Talk About When I Talk About Running



Foi uma semana inteira sem um post, apesar de terem sido muitos os que me passaram pela mente. Uma semana de correrias, no verdadeiro sentido da palavra. De lutas internas e em que várias vezes me perguntei "porquê que estou a fazer isto?". Uma semana de contagem decrescente e de nervoso miudinho.
Uma semana em que percebi mais do que nunca a tendência para desacreditar e para sabotar os meus próprios objectivos.
E em que mais uma vez consegui superar-me, surpreender-me, perceber que consigo muito mais do que penso ser possível.
isto não foi uma corrida. Foi uma luta comigo própria. E consegui calar a parte de mim que achou que não era possível.


Correr uma meia maratona. Feito!

September handmade projects


Para mim é esse o sabor de Setembro. 

Voltar às rotinas, encontrar novamente equilíbrio dentro do que há para fazer e de projectos que nascem.

Entre todas as coisas em curso, há dois que quero começar este mês:


Uma visita ao Bolhão serviu para comprar vasos de hortelã, alecrim, mangericão, tomates cherry e pimentinhos padron. Falta encontrar as floreiras ou caixotes, terra, fertilizante e umas mãos pequeninas para me ajudar. 


O frio traz-me sempre isto - vontade de pegar nas agulhas e na lã e de ver crescer cachecóis, golas e mantas por entre as agulhas. 

:)

Sunsets







Faz hoje um mês que as férias chegaram ao fim. Durante dez dias pusemos a casa sob quatro rodas, fizemos das praias sala de jantar, do céu televisão, do fogareiro fogão e do sol bússula. Estivemos sempre lá, desde que nascia até se esconder. Deve ter sido por isso que nos concedeu os pôr-do-sol mais avassaladores de que tenho memória. Como se quisesse recordar-nos da sua imponência ou convidar-nos a continuar a persegui-lo, pela estrada fora...


Day-spring



Acordar com o sol ainda a nascer e a lembrar que os dias estão a ficar mais curtos. Daqui a um mês, nestes dias em que acordo mais cedo, será de noite. 
Arrasto a bicicleta ainda ensonada para fora de casa e deparo-me com as ruas desertas. Há sempre algo de mágico no amanhecer de uma cidade [recordo um amigo que, cansado de cardumes de turistas, e não querendo deixar de conhecer alguns destinos clássicos na europa, dizia que a alternativa era conhecer as cidades durante a madrugada, contemplar monumentos sem multidões à volta, conseguir sentar-se e apreciar a serenidade que alguns sítios nos trazem].
Todos os dias, percorro este caminho a reconhecer a sorte que tenho por não ter que me enfiar em transportes públicos ou em filas de trânsito (ao final da tarde, quando tenho que subir quase sem descanso, o discurso já vacila um pouco...). 
Sem dar por ela, cheguei. O sol vai subindo na praça. O cheiro a café vai surdindo no ar. Há janelas por abrir e listas de tarefas para encarreirar. Riscar uma a uma, o mais depressa possível para depois abrir a minha lista de tarefas preferida. Hoje, a tarde é livre e por minha conta!

Boys will be boys let them have their toys

Já o disse mas nunca o escrevi - nunca tinha partilhado a vida com alguém tão 'rapaz', tão 'boys will be boys with their toys' - desde descrições minuciosas sobre mecânica automóvel, como dissertações diplomadas sobre tubinhos ou demonstrações altamente especializadas no arranjo de utensílios, furos na parede, mudanças de luzes de faróis de automóvel ou salvamentos após acidentes informáticos.

Deste lado, posso dizer apenas que ADORO!!!

O meu carro, que tinha os faróis dianteiros fundidos há um ano agradece (a minha estratégia para lidar com o problema até aí era evitar conduzir à noite), o crash do computador iria fazer-me ter episódios oscilantes de evitamento do problema induzido por amnésia selectiva e estados de pânico generalizado e vitimização profunda ao estilo e-agora-como-é-que-vou-sobreviver-sem-pc. Não tive sequer muito tempo no primeiro estado porque mal abri os olhos estavam accionadas três redes do estilo máfia-alternativa e em menos de um suspiro o pc estava de novo nas minhas mãos completamente restaurado e upgradeado.


Deste lado estou a adorar que haja tanta testosterona à minha volta e, ainda mais que isso não venha sob o formato hipnose à frente de um ecrã com onze senhores a tentar enfiar a bola numa rede do campo de outros onze senhores seguido de horas de comentários sobre a forma como os senhores se saíram na sua missão. E digo isto com total conhecimento do que é um fora de jogo, quem é o Messi, quais são as regras do hóquei em patins, o que é defender zona no basquetebol ou o que é um líbero no voleibol. Isto para que não se confunda o não fazer parte da seita do reino futebolístico com ignorância desportiva.


Também adoro que do outro lado não haja ponta de inspiração culinária, o que me dá total liberdade para fazer uma das coisas de que mais gosto. Assumo de corpo e alma o papel de cozinheira da casa e ai de quem se atreva a comer porcarias congeladas!

Que tenha a mania das aventuras e das coisas arriscadas, e que me tenha feito ir abrir ficheiros antigos de quando achava que tinha que experimentar tudo o que me fizesse tirar o fôlego. Surf OK, andar de mota OK, fazer mergulho OK, saltar de um avião OK, parques aquáticos super nices OK, saltar do cimo de árvores em rios 'oh pa que chato que tava-se tão bem ao sol'... OK!

Mesmo quando não entendo, encolho os ombros e acho piada. Quer seja falar durante três semanas sobre a câmera nova que está para chegar e abri-la com uma ânsia maior que uma criança no Natal. Seja não descansar até encontrar um carro para substituir o antigo.

Rapaz + máfia alternativa + aventuras + mecânica + carros + 'substituir o antigo', leva-nos ao propósito deste post, a mais recente aquisição da casa, que chegou na passada sexta feira a transportar um sorriso gigante.

E agora vou ali comprar umas roupinhas à época para ficar ao nível e prometo uma fotografia de registo logo logo a seguir.

August goodbye celebrations

É sempre assim - o estado de espírito muda mal se chega, e quando chega a hora de voltar persegue-nos a sensação de que soube a pouco. Mas já sabíamos que eram só dois dias e a intenção era aproveitá-los da melhor forma, fosse de fatos de banho ou de camisolas polar e corta vento, que isto do tempo no norte tem muito que se lhe diga e é sempre uma roleta russa. Calhou-nos a primeira hipótese e ainda bem. Já levava na mala uma nostalgia de "é o fim de Agosto" e o fim de semana trouxe-nos calor e dias de praia daqueles sem fim, para enchermos as reservas de 'verão' por mais algum tempo. 
Houve tempo para passeios na praia, para sestas, para livros, para construções na areia, para apanhar conchinhas que virão a ser espanta-espíritos que nos relembrem que mesmo no inverno continuamos a pertencer ao mar. Tempo para corridas e para passeios de bicicleta. Tempo para surfar e para esplanar, tempo para saltar em trampolins até não poder mais, tempo para gelados e para massadas de peixe, para tentar ver filmes e adormecer ao terceiro minuto de tão cansada de coisas boas. Tempo para enfeitar o terraço com coroas de cores e balões de papel em jeito de 'festa de despedida de Agosto, que já temos saudades tuas'. Tempo para conversas transformadoras, daquelas que, quando terminamos, somos um bocadinho mais.
Foi um Agosto recheado de coisas boas e conseguimos despedir-nos dele à altura.

Venham mais!